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TRAGÉDIA: Entregador de aplicativo passa mal, é ignorado pela empresa e morre

O Samu não teria aparecido para o atendimento, e um motorista da Uber recusou transportar Thiago até um hospital

METRÓPOLES

12 de Julho de 2019 às 09:45

TRAGÉDIA: Entregador de aplicativo passa mal, é ignorado pela empresa e morre

FOTO: (Divulgação)

Thiago de Jesus Dias, 33 anos, entregador da empresa Rappi, morreu na última segunda-feira (08/07/2019), após passar mal e não receber atendimento enquanto trabalhava. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

 

Segundo a reportagem, o motociclista fazia um entrega em Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, quando se sentiu mal. O entregador chegou ao local, no sábado (06/07/2019), falando que sentia fortes dores de cabeça e muito frio. “Ele nem chegou a entrar no prédio e caiu no chão. Estava com o corpo enrijecido e reclamava de frio”, conta a advogada Ana Luísa Ferreira Pinto. Ela e os amigos haviam encomendado a entrega de uma garrafa de vinho pelo aplicativo.

 

De acordo com a matéria, os clientes realizaram o primeiro atendimento a Thiago. Ofereceram água e cobertores, ainda na calçada. Nesse momento, o motociclista teria pedido para entrarem em contato com o aplicativo para que avisassem que não poderia realizar as outras entregas programadas.

 

Segundo a advogada, a resposta da Rappi foi insensível. “A empresa nos pediu para que déssemos baixa no pedido, para que eles conseguissem avisar os próximos clientes que não receberiam os produtos no horário previsto”, falou.

 

Enquanto agonizava na calçada, os clientes do aplicativo buscavam por atendimento de emergência. Na central do Corpo de Bombeiros, receberam o aviso de que o resgate seria feito pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Já o Samu afirmou que não havia previsão para chegada da equipe.

 

Após uma crise de dor, o entregador acabou urinando na roupa. De acordo com Ana, já havia passado uma hora e 30 minutos desde o primeiro contato com os órgãos de resgate. Daiane, irmã de Thiago, foi avisada do ocorrido. De Uber, ela conseguiu chegar até o local onde ele estava.

 

Meu irmão não falava, estava no chão e não apresentava nenhuma reação

DAIANE, IRMÃ DE THIAGO

 

Conforme ela contou, pediu um segundo carro do aplicativo para levar o irmão ao hospital. Quando o motorista viu Thiago, já no banco traseiro, com a roupa suja de urina, se recusou a fazer a viagem e cancelou a corrida. Foi quando o amigo de Thiago chegou de carro ao local, e ele pôde ser encaminhado ao hospital. Quando Daiana recebeu o primeiro diagnóstico, já eram 2h da manhã. Ela foi informada que o motociclista teve um acidente vascular cerebral (AVC).

 

Às 4h, o quadro de saúde de Thiago piorou e ele foi transferido para a unidade de terapia intensiva (UTI). Na manhã de domingo (07/07/2019), a família foi informada da suspeita de morte encefálica. A confirmação do óbito foi feita nessa segunda (08/07/2019), às 9h35.

 

A reportagem da Folha de S. Paulo entrou em contato com a Rappi, empregadora de Thiago. Em resposta, a empresa disse que lamenta a morte do entregador e informou que busca melhorar o procedimento de contato direto.

 

“A empresa está desenvolvendo um botão de emergência que estará disponível dentro do aplicativo dos entregadores, por meio do qual os mesmos poderão acionar diretamente o suporte telefônico da Rappi ou as autoridades competentes”, disse.

 

Já o Samu informou que o chamado de Thiago chegou à central telefônica às 22h15, como dor de cabeça, e foi classificado com prioridade média. Segundo o órgão, o monitoramento foi feito de maneira remota até quando receberam a informação de que o motociclista havia sido removido em um carro particular. O Samu informou, também, que abriu um procedimento para verificar as circunstâncias do atendimento, e, após a conclusão, a empresa tomará as medidas cabíveis.

 

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar não recebeu nenhum chamado sobre o caso. O Corpo de Bombeiros também negou ter recebido ligações sobre a situação.

 

Procurada, a Uber não se manifestou sobre o comportamento do motorista que negou a corrida e nem sobre os procedimentos da empresa em casos como este.

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