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CRÍTICA: Amor de mãe, sonho possível de um cinema rondoniense?

Por Humberto Oliveira, cinéfilo e jornalista

HUMBERTO OLIVEIRA

1 de Setembro de 2018 às 08:26

CRÍTICA: Amor de mãe, sonho possível de um cinema rondoniense?

FOTO: (Divulgação)

O sonho de se fazer cinema em Rondônia ganhou uma nova estrela em sua jovem constelação. Estreou na noite desta sexta-feira, 31, no Cine Veneza, em Porto Velho, a produção cinematográfica genuinamente rondoniense – o curta metragem Amor de mãe -, dirigido pelo ator Anselmo Vasconcelos, um ícone do cinema nacional e também da televisão brasileira, que descobriu Rondônia, se apaixonando por nossas belezas e talentos.

 

Presente na abertura do evento, o jornalista Domingues Junior foi sábio ao citar o genial diretor japonês Akira Kurosawa, que via os filmes como sonhos. Amor de mãe seria a pedra de toque do sonho possível de uma cinematografia rondoniense? O público presente para as duas sessões do filme confirmam isso.

 

Baseado numa ideia do jornalista e empresário da comunicação, Paulo Andreoli – que assina o roteiro -, Amor de mãe tem em seu elenco e equipe técnica talentos da terra, como dizem, prata da casa. E pelo que assistimos, eles fizeram bonito para contar uma história com cores regionais, mas com apelo indiscutivelmente universal.

 

Enchem os olhos as belas paisagens, a fotografia impecável do filme também merece destaque. Quanto ao elenco, com exceção de Anselmo Vasconcelos, todos são amadores, mas deram conta do recado e não comportem o resultado final. A produção se esmerou na parte técnica, caracterizações, cenografia, edição, som, trilha sonora e figurino. Quanto ao roteiro, não podemos deixar de mencionar que foi o primeiro escrito pelo jornalista Paulo Andreoli, ainda um neófito na carpintaria da arte de escrever roteiros.  

 

As cenas que abrem o filme nos remetem a Silvino Santos, português de nascimento, que atravessou o Atlântico e aportou em Belém e depois se radicou em Manaus – onde testemunhou a chegada do cinema no Amazonas, onde trabalhou como fotografo. Uma de suas mais importantes obras chama-se No país da Amazonas (1922), notável documentário de longa metragem, que certamente inspirou a produção das belas imagens aéreas dos rios Amazonas e Madeira, 96 anos depois do pioneirismo do mestre Silvino Santos, o cineasta da Amazônia.

 

Como articulador deste projeto, vale ressaltar a ousadia e coragem de Andreoli, seu empreendedorismo e espirito de aventura ao agregar tantas pessoas e juntos mergulharem de cabeça na realização de um filme, uma das coisas mais difíceis e complicadas de se fazer, ainda mais em terras de Rondon. Pontos para Andreoli e toda a equipe. Pontos para Anselmo Vasconcelos por acreditar na concretização do projeto.

 

Nesta noite de estreia, Paulo Andreoli deveria se sentir, pelo menos é o que imagino, como o cineasta François Truffaut na estreia de seu primeiro longa metragem, Os incompreendidos (1959), quando se consagrou como o melhor diretor no Festival de Cinema de Cannes, daquele ano. Assim como o personagem principal, o menino Antoine Doinel é o alter ego de Truffaut, o jornalista Paulo, protagonista da produção rondoniense, é o alter ego do pai da ideia e autor do roteiro, Paulo Andreoli. 

 

Por Humberto Oliveira, cinéfilo e jornalista

 

 

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