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POR VICK BACON: Quebrando tabu: negra, doutora e de família humilde

Confira a coluna de Victoria Bacon

POR VICTORIA BACON

23 de Maio de 2019 às 15:34

POR VICK BACON: Quebrando tabu: negra, doutora e de família humilde

Dalza e familiares na colação de grau em Engenharia na Universidade Federal do Espírito Santo em 1983 FOTO: (Divulgação)

Conheça a história da professora doutora Dalza Gomes da Silva da Universidade Federal de Rondônia que se tornou Doutora numa Universidade Pública Federal de reconhecimento internacional e expurga a vitimização da Esquerda quanto de temas que envolvem o ingresso num curso superior ou ascensão profissional. Há 30 anos, a professora Dalza Gomes começava a desenhar sua carreira de vida profissional para a sociedade brasileira.

 

QUANDO TUDO COMEÇOU... .

 

A professora Dalza Gomes trabalha atualmente no campus da Unir em Rolim de Moura. É engenheira agrônoma e doutora e trouxe para os leitores o estímulo para ascenderem na vida social e econômica. Ela se recordou que em 1967 na cidade de Alegre no Espírito Santo ainda pequena viu um trabalho da FAO/ONU sobre segurança alimentar. Uma mulher de origem americana ao presenciar mãe e filha negras (mãe de Dalza) assustou-se ao ver que na plateia existiam pessoas de classe desprivilegiada economicamente, porém sedentas em conhecer o discurso da palestra proferida por professores de alto nível e reconhecimento internacional enviados pela FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. Ao presenciar as falas de uma doutora em alimentos, Dalza ainda muito pequena disse à mãe que se tornaria um da doutora. Dalza Gomes cursou toda a sua educação escolar e superior em estabelecimentos públicos de ensino no Espírito Santo e em Minas Gerais (doutorado). 

 

Ela se recorda que a graduação foi realizada em tempos do Militarismo no Poder, onde a mulher ainda era visto como uma figura de cuidadora do lar e do marido e que ser doutora em campo de trabalho predominantemente masculino (agronomia) era sim um Tabu, inclusive era uma das pouquíssimas mulheres a ingressarem nesse tipo de graduação nas universidades federais espalhadas pelo Brasil à época (final dos anos 70).

 

SEU INGRESSO NUMA UNIVERSIDADE FEDERAL EM TEMPOS QUE O VITIMISMO NÃO EXISTIA.

 

Para ingressar numa Universidade Federal não havia cota ou qualquer promoção social para ser favorecida pelo ingresso num dos cursos mais concorridos da Universidade Federal do Espírito Santo em 1979 (curso de bacharelado em agronomia). A competência, a dedicação, a formação familiar e principalmente a insistência eram os ingredientes necessários para se conseguir ingressar num curso superior em tempos em que eram reduzidas as universidades públicas.

 

Colação de grau dos alunos de Agronomia no Campus da UNIR em Rolim de Moura. Dalza Gomes na condição de Diretora e professora doutora.

 

Só para se ter uma ideia em 1979, ano que Dalza Gomes ingressou no curso de Agronomia na Universidade Federal do Espírito Santo havia 25 universidades federais contra 67 atualmente. Atualmente são 445 mil vagas nas universidades federais contra 57 mil em 1979. Claro, a população dobrou (1979-2019) nesse período e o número de vagas em universidades cresceu 800%. 

 

Dalza, a doutora e professora, tinha que enfrentar à época a carência de vagas nas universidades que em sua maioria só existiam nas capitais e se tornavam muito concorridas pelos alunos. Hoje há n! (muitas e diversas) possibilidades de ingresso: EAD para quem não pode frequentar uma universidade diariamente, SISU (seleção unificada para o cidadão não precisar se locomover em ter de enfrentar vários vestibulares), PROUNI( Programa Federal que paga para a instituição privada ou as isenta de imposto para receber alunos de baixa renda), FIES ( Financiamento Público que paga para a instituição privada e o cidadão devolve o dinheiro pago para ele estudar com juro baixíssimo ou zero dependendo do curso).

 

E OS TEMPOS ERAM DIFÍCEIS E ELA VENCEU... .

 

Quando Dalza ingressou numa universidade federal nada disso existia a não ser o tradicional e concorrido vestibular que amedrontavam a todos.

 

Ainda nos anos 80 (1984), Dalza cursou o mestrado também numa Universidade Federal em Minas Gerais e o doutorado também realizado numa universidade federal mineira (UFV – Viçosa) em 1994 quando o Brasil caminhava a passos lentos de recuperação econômica de anos de hiperinflação.

 

Em 2010, Dalza se tornou professora doutora do curso de Agronomia da Universidade Federal de Rondônia aprovada em primeiro lugar ainda sem cota ou benefício qualquer; Antes, tinha exercido o cargo de professora doutora do Centro Universitário São Camilo no Espírito Santo por quase uma década.       

 

Tornou-se Diretora do Campus da UNIR em Rolim de Moura em 2014 e em sua gestão trouxe grandes ganhos para o campus como espaço, revitalização, biblioteca, laboratório, hospital para prática dos cursos de veterinária e zootécnica e aumento do número de cursos e vagas no campus através de sua atuação representativa no Conselho Superior da Universidade Federal de Rondônia por quatro anos.

 

Professora negra, vindo de família humilde economicamente no interior do Estado do Espirito Santo, conquistou o ápice da carreira acadêmica e de títulos se tornando doutora. Ela se orgulha em ter conquistado todos esses méritos em sua carreira de vida e defende que não é necessário populismo ou vitimização para se conquistar algo.

 

Dalza Gomes que já militou em sindicatos, movimentos sociais e movimentos estudantis retratam em seu depoimento ao Rondoniaovivo TV WEB que não é preciso se beneficiar da cor da pele, da renda, ou de qualquer viés ideológica para se beneficiar. É preciso cuidar da educação e valorizá-la com gastos certos e precisos.

 

A doutora Dalza Gomes é um exemplo de que se constrói uma carreira profissional brilhante ser o famoso MIMIMI e quebrando Tabus, descontruindo conceitos.

 

 

Confira o testemunho da professora doutora Dalza Gomes na TV Rondoniavivo no site www.rondoniaovivo.com ou na nossa FANPAGE (Rondoniaovivo).

 

Dalza sendo homenageada por liderança na cidade de Rolim de Moura em Rondônia onde atua como decente e reside.

*Aos leitores, ler com atenção*

Este artigo/coluna não representa a opinião do rondoniaovivo e sim da autora: Victoria Bacon sendo ela responsável por tudo que será dito e/ou escrito a seguir.

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