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MAÇARICO NA HISTÓRIA DE RO: “Não vi ação tão perversa como essa contra a EFMM, nem na ditadura militar”

O arquiteto Luís Leite disse que não é a primeira vez que o patrimônio da Madeira Mamoré é atacado

RONDONIAOVIVO

27 de Janeiro de 2020 às 17:15

MAÇARICO NA HISTÓRIA DE RO: “Não vi ação tão perversa como essa contra a EFMM, nem na ditadura militar”

FOTO: (Rondoniaovivo)

A decisão tomada pela Fundação Cultural de Porto Velho, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Associação dos Ferroviários da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, de permitir que o acervo da ferrovia seja cortado com maçarico e vendido como sucata está indignando a sociedade rondoniense.

 

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Arquiteto Luís Leite denunciou que peças do Museu do Ferroviário também sumiram

 

Uma das vozes que está se levantando contra essa ação, é a do arquiteto Luís Leite, membro da Associação dos Amigos da Madeira Mamoré e falou em nome da entidade. Para ele, que é um dos defensores da ferrovia e ex-superintendente do IPHAN, em Rondônia, o que está ocorrendo é um crime.  

 

Eu fui o autor do tombamento da estrada de ferro em 2005, quando era superintendente do IPHAN em nosso estado. Hoje, vejo estarrecido essa situação, pois estão agindo com o aval do estado, através do IPHAN, da Fundação Cultural, associação e também com a Curadoria do Meio Ambiente do Ministério Público Federal”, acrescentou.

 

Luís classificou o que está ocorrendo na estrada de ferro como uma lavagem de dinheiro. “Estão usando a Madeira Mamoré para retirar dinheiro dela, vendendo algo que não tem valor financeiro. O que está sendo vendido é o valor histórico”, enfatizou.

 

Durante a conversa, Luís observou que não é a primeira vez que esse tipo de ação, visando destruir a história de Rondônia ocorre. Ele lembrou do Museu Ferroviário, criado em 1981, durante o Seminário Madeira Mamoré, que tinha como objetivo a preservação da memória da ferrovia.

 

“O espaço era no galpão 2, no pátio da estrada de ferro e funcionou até 2006 ou 2007, quando foi desmontado e as peças levadas para um galpão na zona Leste, de Porto Velho. Porém, parte do acervo sumiu. Desapareceram relógios, sinos, apitos, móveis, peças de locomotivas e placas de identificação feitas em bronze para as locomotivas. Umas das estrelas do museu era a locomotiva Coronel Church, que hoje se encontra toda depredada no pátio da estrada de ferro”, denunciou.

 

Para evitar que situações como essa, de depredação do patrimônio histórico da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, ocorram novamente, Luís Leite afirma que é necessária uma fiscalização mais intensa.

 

Para que isso não aconteça, deve-se fazer cumprir a lei. A Constituição Federal protege a Estrada de Ferro Madeira Mamoré. Os órgãos de fiscalização estão autorizando um crime. Não vi nem na ditadura militar uma ação tão perversa como essa, de cortar com maçarico peças históricas da Madeira Mamoré”, finalizou.

 

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