Buritis tem um juiz para 6 mil processos, denuncia OAB
Segunda-Feira, 12 de Março de 2012 / 17:40
Esses relatos foram feitos na última sexta-feira, dia 9, durante reunião na sala da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil no Fórum da Comarca, reunindo 15 advogados, funcionários da Justiça, vereadores e representante do prefeito. Coube ao presidente da Subseção da OAB em Buritis, advogado Ademir Guizolf Adur, denunciar o abandono da cidade e convocar os representantes das instituições representativas da população para organizar uma comissão e vir a Porto Velho cobrar providências do Poder Executivo, do Judiciário e da Assembleia Legislativa.
Problemas
Entre os problemas relacionados pelos advogados de Buritis, o principal é, sem dúvida, a morosidade na prestação jurisdicional. Há casos em que o cidadão que entrou com processo na Justiça aguarda a sentença há mais de um ano. E isso – segundo atesta os advogados – não decorre de má vontade ou corpo mole do juiz. “O problema é que é humanamente impossível para um juiz sozinho julgar e despachar cerca de seis mil processos que tramitam na Comarca, sem contar os casos da Vara de Crianças e Adolescentes, que têm prioridade”, justifica o presidente da subseção da OAB.
Para agravar o quadro, constata-se que pelo menos 300 novas ações por ano chegam à Justiça.
Os advogados de Buritis realçam, entretanto, que o Fórum da Comarca é bem estruturado e informatizado - embora apresente problemas para acessar o sistema de processo digital – e que o atual juiz Luis Marcelo Batista tem se esforçado ao máximo para dar vazão a todo o trabalho. Argumentam ainda os advogados, que além de contar somente com um juiz, faltam funcionários nos cartórios, o que compromete o andamento normal dos processos.
Ao fazer um relato ao presidente da Seccional Rondônia da OAB, Hélio Vieira, que estava acompanhado do tesoureiro da ordem, Laércio batista de Lima, o presidente da subseção de Buritis disse que também está havendo problemas sérios com o insuficiente contingente policial, tanto civil quanto da Polícia Militar. Por conta dessa deficiência, segundo Guizolf Adur, pelo menos 1700 inquéritos estão em andamento, e a Delegacia não conta o pessoal necessário para empreender as diligências. Com a ausência do policiamento ostensivo, que é realizado pela Polícia Militar, tem crescido vertiginosamente a violência na relação entre as pessoas.
“A população está sofrendo graves prejuízos, seja pelo aumento da violência, seja pela demora com que a Justiça está decidindo. Penso que não é possível mais esperarmos acomodados por uma solução. Vamos nos organizar em comissão e seguir para protestar e buscar nossos direitos junto às autoridades em Porto Velho”, conclamou Ademir Adur.
O município de Buritis foi criado em dezembro de 1995 pela Lei Estadual nº 649, desmembrados dos municípios de Porto Velho e de Campo Novo e tem sido notícia em jornais e revistas de circulação nacional em função da alta taxa de criminalidade e dos problemas envolvendo invasão de terras.
Fonte: Assessoria
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