Elucubrações sobre a Usina Santo Antônio - Por Paulo Andreoli - Rondoniaovivo.com - NOVO TELEFONE: (69) 3229-8673 Elucubrações sobre a Usina de Santo Antônio - Por Paulo Andreoli

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Elucubrações sobre a Usina Santo Antônio - Por Paulo Andreoli

Quarta-Feira, 01 de Fevereiro de 2012 / 09:35

A construção das Usinas no Rio Madeira está produzindo situações dúbias em Rondônia. Se por um lado trouxe um maior desenvolvimento para a região, principalmente para Porto Velho, também trouxe a desorganização social causada pelo enorme fluxo de pessoas que para aqui vieram trabalhar.
 Hoje vivemos o caos social provocado pela falta de planejamento e gerenciamento nas obras que trariam a compensação social necessária para aplacar o impacto negativo da construção das gigantes do PAC na capital rondoniense.
Hoje assistimos impávidos alguns ataques criminosos contra nosso meio ambiente e nosso povo. Descobrimos que desmatamento, daquele que provocava gigantescas multas em produtores locais se chama “supressão da camada vegetal” e é permitido.
Também estamos assistindo o fim de um ciclo, dos ribeirinhos e sua ocupação centenária ás margens do Rio Madeira. Especificamente no Caso da UHE Santo Antonio, onde a abertura das comportas em Janeiro deste 2012, que provocou um processo erosivo nos barrancos do Madeira.
São dezenas de famílias afetadas. E pode piorar. A Construtora Norberto Odebrecht, principal empreiteira do empreendimento, em conjunto com os empresários da Santo Antônio Energia estão cogitando aumentar a barragem da Usina. Seria elevado o muro de concreto de 70,5 metros - conforme está autorizado para 71,3 metros
Numa explicação simplória, de fácil entendimento pode-se dizer que Odebrecht transformou a Cachoeira de Santo Antonio numa “Bomba Wap”, daquelas com “alta pressão” para se lavar de  carros a calçadas.
A água vem em grande volume e entra num gargalo, que provoca o aumento de sua velocidade. Sai como um spray e vai derrubando tudo a jusante do empreendimento. Isto sem nenhum estudo de impacto. Pelo menos é o que parece, já que os engenheiros “não previram” este banzeiro de fortes proporções que está acabando com mais de cinco quilômetros de barrancos, levando casas e sítios da região da cachoeira até o centro da cidade.
Os mais catastróficos falam no desaparecimento de toda a região da Baixa da União se não for feito um muro de arrimo em toda a margem atingida
Agora vem um questionamento que não quer calar. E não adianta ir perguntar ao pessoal da “Santo”. Ele não tem interesse na verdade e sim na conclusão do empreendimento, custe o que custar.
Se aumentarem a barragem teremos um lago maior. Consequentemente também irá aumentar a velocidade das águas do “Madeirão”, provocando o aumento de danos às comunidades ribeirinhas, daqui até São Carlos. Serão novos desbarrancamentos, novas retiradas de famílias ( só se movimentam  sob ordem judicial) e até a formação de novo canal navegável.
Uma carta encaminhada no ano passado  ao então ministro Lobão e também ao diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) sócios da Usina de Jirau, localizada a cerca de 100km de Porto Velho,  afirmam que, " a elevação da usina à jusante para a cota 71,3 m representa, ainda, graves riscos estruturais à UHE Jirau, que passará a não atender aos índices mínimos de segurança para sua operação".
 E fazem uma previsão cataclísmica, "tal elevação comprometeria a segurança física das estruturas das casas de força e vertedouro de uma das maiores barragens do país, podendo acarretar um acidente sem precedentes, com severos impactos sociais, ambientais e financeiros".
Pois então, era o que faltava. Além de termos que conviver com os maus políticos, temos que dormir com um barulho deste tamanho. E não pensem que é tudo teoria. Recentemente, a construtora Norberto Odebrecht que constrói a UHE Santo Antonio foi expulsa do Equador por ter feito uma lambança na construção de uma Usina daquele país. Mas lá no país andino pelo jeito tem político “macho”. Aqui por Rondônia o que mais se vê, é “representante do povo” com uma placa de vende-se no meio da testa.
 Não podemos concordar com este aumento de barragem sem a Santo Antonio Energia apresentar estudos confiáveis sobre os impactos sociais e ambientais a jusante do empreendimento. Ou já estão "fazendo o puxadinho" e nem sabemos?
 Concordar com tal alteração no projeto da obra sem ao menos saber o que pode acontecer é de uma irresponsabilidade sem limites. Nossas autoridades precisam sair da servidão que se instalou no meio político para com as Usinas.
Financiamentos de campanhas, caixinhas não declaradas e até pasmem, a contratação do prefeito de Porto Velho para ser caçambeiro do empreendimento e outras situações mostram que o “lobby” a favor das Usinas em detrimento ao povo mais humilde é enorme.
Resta apenas às autoridades fiscalizadoras olharem com muita atenção este caso especifico. É sério, verdadeiro e justo. Não dividem da força da natureza. Não duvidem da força do Rio Madeira.

Fonte: Rondoniaovivo

5 Comentários Comentar Notícia

  • walber jose lopes14/02/2012 - porto velho

    paulo Andreoli não os ribeirinhos como os que vão ficar aleijados na cidade os que perdem aperna e ele comunicam no CAT que foi o dedo mindinho isso funcionário que a carteira de trabalho pode comprovar as fotos dos barrancos e a dragagem do pântano que jogaram na jusante

  • Iolanda Araujo02/02/2012 - PVH

    No final dessa LAMBANÇA ficarão os miseráveis, filhos sem pai e sem mãe, e uma cidade que poderia crescer e se desenvolver só aterros de cadaveres humanos, mortos pela exloração da massa dominante e corrupta.

  • Tito01/02/2012 - P.Velho/RO

    Caro jornalista Paulo Andreoli, vos parabenizo pela dedicação na luta pela defesa dos mais humildes.
    Em que pese a seriedade do caso das destruições causadas pelas usinas, peço licença para contar algo curioso quanto ao risco de se aumentar a altura da barragem, sob risco de que haja o rompimento da mesma.
    Contou-me o pai da minha namorada, homem simples e de vida humilde, mecanico de máquinas pesadas de uma das empresas que presta serviços as construtoras das usinas, que o ano passado teve um sonho agoniante, no qual via o rompimento da barragem da usina e as águas que saíam da mesma vinham em direção à cidade destruindo tudo pelo caminho.
    Não costumo acreditar e nem ficar iompressionado com sonhos, mas achei curioso o fato da matéria ter falado no risco de acdente com a barragem e me lembrei do sonho.
    Peçamos a Deus que não ocorra tal trajédia, para que muitas vidas não sejam ceifadas pela ganância de grupos empresariais e políticos.

  • Dr. Marcelino M. Rego01/02/2012 - P. Velho

    O consorcio é só a turma que quer lucrar com a construção. Para eles o que interessa é aumentar a margem de lucro. O resto é papo para boi dormir,
    mas quem vai se dar bem mesmo é a Alstom uma das maiores coorporações do ramo de energia mundial.
    E Rondônia para estes é um verdadeiro paraiso, com nossas autoridades prostitutas, com etiqueta de vende-se presa na testa. E se vendem baratinho!
    O povo só existe para estes nas eleições e na hora de pedir voto. Para a Alstom e o consorcio, povo é gado e foda-se! Ainda bem que os poucos serios de varios setores, começaram a se mobilizar contra esse absurdo. E as eclusas, como fica? Quero lembrar a todos que a navegação é uma das principais formas de integração de nossa região.

  • francisco barroso01/02/2012 - porto velho

    Essas usinas, a despeito de pregarem o deselvolvimento (e lucro para os bolsos dos bilionários), trouxeram inúmeros problemas, como: aumento do custo de vida, principalmente a especulação imobiliária; aumento da prostituição e da violência, episódios de ira coletiva dos trabalhadores, além dos problemas ambientais. As compensações prometidas até hoje não foram muito bem explicadas. Queriam paraticar um rombo de 1 bilhão aos cofres do Estado, através de uma isenção criminosa. Onde estão os benefícios??????
    Parabéns ao jornal rondoniaovivo por ser o único que não foi cooptado por esses poderosos empresários do setor de energia. Parabéns!!

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