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ENTREVISTA - Samuel Castiel, o médico saxofonista - Por ZeKatraca

Segunda-Feira, 24 de Maio de 2010 / 11:38

Nosso entrevistado de hoje Dr. Samuel Castiel Júnior começa fazendo um breve relato da sua vida, desde quando chegou a Porto Velho capital do então Território Federal do Guaporé.
 
“Minha história é uma história que se confunde com os primórdios da cidade de Porto Velho. Minha família veio pra cá em 1950, eu estava apenas com 4 anos de idade quando chegamos, vindo do estado do Para especificamente da cidade de Gurupá. Aqui fiz todo meu curso primário, ginasial e o 1º ano científico que hoje é o segundo grau. Depois fomos para Belém onde terminamos o científico e prestamos vestibular para a Faculdade Federal de Medicina. Graças a Deus conseguimos obter êxito e concluímos o curso em 1973.
 
Fui para o Rio de Janeiro fazer residência médica em radiologia. Meu primeiro ano de Mestrado foi no Fundão ainda no Rio e depois fui para Ribeirão Preto fazer Ultrasonografia e retornei a Porto Velho com o objetivo de prestar serviço especializado. Isso quer dizer, que somos pioneiros em várias modalidades de diagnóstico como Tomografia Computadorizada implantada no Hospital de Base há 16 anos, somos pioneiros também na implantação da Ressonância Magnética Nuclear, em Raios-X especializado, Mamografia e agora estamos implantando o serviço de Medicina Nuclear que é a Cintilografia.
 
Graças a Deus estamos prestando um serviço que acreditamos seja de grande valia na área médica, ajudando a saúde em nosso estado”.
 
 
 
ENTREVISTA                                               
 
Zk – Agora queremos saber, quem foi sua primeira professora e a primeira escola?
 
Samuel Castiel – O primário foi concluído no Grupo Escolar Barão do Solimões e a minha professora querida, não tive apenas uma, mas, a que mais me traz recordações é a professora Maria dos Prazeres Vilar e a professora Lídia Johnson, são duas professoras que marcaram minha época de primário, isso sem contar evidentemente com a professora Marize Castiel que sendo minha tia, foi também minha professora, me ensinou o prazer de ler de me dedicar às artes, a literatura. Já na parte ginasial tive grande nomes como o professor Lourival Chagas e o professor Dorival França que foram pessoas de destaque na minha vida escolar. Quero destacar também a memória do Dr. Lourenço Pereira Lima que foi um dos médicos que lecionando biologia no Colégio Presidente Vargas, acabou me incentivando pela área de biologia. O fascínio que trazia aquele mundo dos micróbios, as bactérias e que para mim era uma novidade, com isso e acabei indo para a área de biologia fazendo medicina.
 
Zk – Naquele tempo, como Porto Velho não oferecia condições, as famílias com melhores posses, mandavam seus filhos estudarem fora. E quando vocês vinham passar as férias de meio e de final de ano, causavam ciúmes na rapaziada que aqui ficava. Fale sobre aquele tempo, como eram os encontros?
 
Samuel Castiel – É verdade! Antigamente nossos cursos eram muito limitados, você terminava o ginásio e não tinha mais o que fazer, ou ia estudar fora, ou ficava aqui pra fazer um concurso para o Basa, parta o Banco do Brasil, isso já era o topo que voe podia chegar. Eu tive a felicidade de ir pra fora como outros colegas. Nosso pais eram pessoas que não eram ricas, mas, primavam pela educação. No período das férias a gente vinha pra cá, reencontrar os amigos e as pessoas querida, mas, era muito efêmero porque as férias acabavam logo e sempre ficava a saúde, mas, a gente curtia bastante. Aconteciam as festinhas todas as noites.
 
 
 
Zk – Essas festinhas aconteciam aonde?
 
Samuel Castiel – Geralmente elas aconteciam nas casas das namoradas nossas e dos amigos, era muito legal. A bebida mais consumida era a famosa “Batida de Limão”.
 
Zk – Qual o parentesco da sua família com a professora Marize Castiel?
 
Samuel Castiel – A professora Marize Castiel foi casada com meu tio Rafael Jaime Castiel irmão do meu pai, sendo assim ela se tornou minha tia e como ela foi uma pessoa de destaque na vida política e educacional do estado de Rondônia ela sempre me orgulhou sendo minha tia, uma pessoa que trouxe tanto beneficio na área de educação e na área das artes, no carnaval, enfim uma pessoa dotada de um brilhantismo muito grande.
 
 
 
Zk – O interessante é que na família Castiel pelo lado do seu pai só nasceram filhos homem e pela lado do seu Rafael Jaime Castiel marido da dona Marize só nasceram mulheres?
 
Samuel Castiel – É verdade! A genética aí foi caprichosa, como sempre o é, ou seja, meu pai Samuel na busca de uma filha acabou ficando com uma prole de seis homens e o meu tio Rafael irmão dele na busca de um filho homem, acabou ficando com uma prole de sete mulheres. Isso fez com que nosso convívio fosse muito harmônico, nossas primas sempre foram maravilhosas e elas também gostavam muito da gente. Tanto que até hoje, quando a gente se encontra é uma festa.
 
Zk – Vamos falar sobre o Samuel folião na escola de samba Pobres do Caiari?
 
Samuel Castiel – O carnaval começa a entrar na minha vida com a escola de samba Pobres do Caiari. A Marize quando passou a ser a carnavalesca da escola ela deu um impulso muito grande pro carnaval de rua e levou pra dentro da escola, pessoas que até então, não a intenção de brincar carnaval de rua, mas, ela conseguiu levar pra lá, nomes importantes da sociedade e da área estudantil, lembro que na época, ele me pediu que fosse pra escola de samba e lá encontrei uma plêiade de amigos que estudavam fora como o Carlos Otino, Fernando Sadeck, Vitinho Sadeck, Viriato Moura e outros. Essa turma toda se reunia na escola e fazia realmente acontecer. Eles que também foram fundadores da escola, com o impulso que a dona Marize deu aí a coisa ficou muito boa.
 
Zk – Qual o clube social preferido por vocês estudantes, quando vinham de farias?
 
 Samuel Castiel – A época áurea dos clubes em nossa cidade foi muito boa, tivemos o Ypiranga, Bancrévea, principalmente esses dois, mais o Danúbio Azul Bailante Clube foram os que marcaram nossa adolescência. O Bancrévea sempre foi um clube mais elitizado, pois era administrado pelo Banco da Amazônia que naquele tempo era conhecido como Banco da Borracha e lá só entravam as pessoas que eram sócias e no Ypiranga o seu Albertino Lopes (falecido) um baluarte do famoso ‘Baranga’, transformou o clube numa potencia carnavalesca e também de bailes. A gente começava a brincar carnaval no Ypiranga depois ia ao Bancrévea e terminávamos no Danúbio. Acontece que o Danúbio Azul era o mais animado. O que os outros dois perdiam em animação o Danúbio botava pra arrebentar.
 
Zk – Pelo lado familiar. O Jaime Castiel com a dona Marize viviam no meio político. E o seu pai fazia o que?
 
Samuel Castiel – Meu pai desde que chegou aqui se estabeleceu no comércio. A maior parte da vida dele foi no comercio. Depois comprou umas terras no seringal chamado São Carlos no rio Jamari e lá por muitos anos viveu da produção da borracha. Depois descobriu minério de estanho (cassiterita) nessas terras, acontece que a cassiterita encontrada no seu seringal não tinha um teor grande como acontecia em alguns outros seringais, que ficavam na serra da Imburana. Essa serra privilegiou os seringais que ficavam mais em baixo, ou seja, no pé da serra. O minério de estanho como sendo um minério pesado, desceu a serra pelo efeito gravitacional e se alojou em grandes jazidas nas terras mais baixas. Como o seringal do meu pai ficava mais ou menos no meio da serra, os filões de cassiterita passavam por lá e ia se alojar mais embaixo, daí o teor da cassiterita encontrada pelo meu pai não ter muito valor comercial infelizmente.
 
 
 
Zk – E foi viver de que?
 
Samuel Castiel – Ele resolveu entrara para uma empresa de transporte pesado e então passou a fazer transporte de carga pesada do sul para a nossa região e foi assim que ele terminou os seus dias.
 
Zk – A família Castiel era cutuba ou pele curta?
 
Samuel Castiel – Olha a família Castiel sempre foi pró Aluizio Ferreira, ou seja, era Cutuba. Depois de algum tempo houve modificação nesse panorama por questões de espaço político. Tanto a Marize como o Rafael passaram a apoiar o Dr. Renato Medeiros que era o chefe maior dos Pele Curta. No final o Rafael chegou quase a ser o governador de Rondônia por um decreto presidencial que seria assinado pelo então Presidente da República João Goulart.
 
Zk – As pessoas que viveram no tempo que Rafael Jaime Castiel foi prefeito em Porto Velho, sempre elogiam o seu trabalho. Você pode citar alguma obra deixada pelo prefeito Rafael Jaime Castiel?
 
Samuel Castiel – Ele trabalhou muito na abertura de ruas, na parte de infra estrutura, promovendo a construção de esgotos de bueiros, limpando praças e construindo alguns bairros que na época começavam ser invasões e ele levava para esse bairros a energia que na época era precária e também fazia algum saneamento, não de esgoto sanitário, mas, com fossas sépticas.
 
 
 
Zk – Como surgiu o músico Samuel?
 
Samuel Castiel – A questão da música sempre me acompanhou. Aos 16 anos de idade ganhei um violão da minha tia Simi e comecei a praticar alguns acordes e juntamente com alguns amigos montamos um trio e saímos por aí fazendo serenata na casa das namoradas. Toda noite de lua era uma seresta que a gente fazia no bairro Caiari onde moravam as moças mais bonitas daqui naquela época.
 
Zk – Você chegou a levar banho de mijo durante as serenatas?
 
Samuel Castiel – Banho de mijo não, mas, peguei carreira. Certa vez desci aquela ladeira da Farquar que era um pedregulho só e cheia de mato com espinho e fui perdendo violão, o toca disco que naquele tempo era aquela eletrolazinha Belé e fomos parar no prédio do relógio todo empoeirado, ralado enfim.
 
Zk – É verdade que a luz apagava muito cedo?
 
Samuel Castiel – Naquela época a luz apagava por volta das 23 horas e só voltava às 5h da manhã. A gente aproveitava a escuridão para fazer as serenatas. Nos reuníamos no coreto da praça Aluizio Ferreira, bebíamos umas batidas de limão ou maracujá e depois partíamos para a janela da casa da namorada de um dos seresteiros. Geralmente quem participava dessas serenatas eram os amigos Jaime Estolano e o Jaime Souza. Bom, essa época foi à época do violão, depois veio à universidade e tive que ir embora daqui e deixei a música de lado. Ao retornar já formado, veio à vontade de reaprender a tocar violão, então compramos um violão e começamos a tentar tocar de novo. Vimos que o violão por ser muito popular me remetia a desejara a tocar um instrumento que fosse mais seleto, aí veio à história de me aparecer pela frente um saxofone tenor pra comprar, era um amigo que tinha comprado esse instrumento em Manaus o Loyola e me ofereceu, comprei apenas porque gostava de ouvi-lo. Foi aí que resolvi entrar para uma escola para aprender a tocar saxofone e fui me matricular na escola de música Tomas Jeferson.
 
Zk – Como foi à evolução do aluno Samuel na aprendizagem do saxofone?
 
Samuel Castiel – Depois de oito meses, resolvi pedir ao professor pra tocar de ouvido e ele não deixou porque ele achava que seu eu tocasse de ouvido jamais voltaria a tocar com a partitura, depois de umas três tentativas, ia inclusive desistir, ele permitiu que eu soprasse as melodias que tinha na cabeça. Não deu outra, começaram a sair às músicas, comecei a me empolgar e terminei não voltando mais pra escola. Daí pra frente me tornei auto didata mesmo, saia com alguns amigos músicos e fui pegando os macetes com eles.
 
 
 
Zk – E o CD que você gravou?
 
Samuel Castiel – Tudo aconteceu fortuitamente. Fui visitar um amigo em Belém que contraiu uma doença chamada Artrite Psoríase que trava as articulações e ele me pediu que tocasse alguma coisa e mandasse pra ele gravado de saxofone porque não conhecia esse meu lado. Ao chegar aqui resolvi fazer a gravação e saiu o primeiro CD que chamei de “Revivendo” onde gravamos 24 melodias, mas, de uma forma muito rápida, passamos apenas quatro sábados no estúdio e mandei pra ele. Depois tirei algumas cópias para dar aos amigos mais chegados e essas cópias foram se multiplicando e já alcançam mais de 400 cópias.
 
 
 
Zk – E o Sax Bar?
 
Samuel Castiel – Esse Cd foi lançado em 2009 e trás uma experiência maior e tem apenas 14 faixas. É um CD mais elaborado, gravado num estúdio melhor. As pessoas gostaram, tanto que já vai com quase 500 cópias distribuídas entre os amigos. Meu grande parceiro nos dois CDs é o Genésio papai que é um músico maravilhoso de um talento fantástico e de um ouvido absoluto. Ele me ajudou a fazer a seleção das músicas. No segundo CD contei também com a ajuda do Tonhão nos teclados.
 
Zk – Você também passou pelo rádio. Fala sobre essa experiência?
 
Samuel Castiel – A experiência no Rádio começou quando estava com 15/16 anos quando o então Padre Vitor Hugo comandava a Rádio Caiari e estava precisando de locutores e eu fui contratado como locutor para abrir a rádio às 5h da manhã, meu programa que era voltado para o homem do campo e ao famoso “Aviso para o Interior”, ficava no ar até as 7h30. Eu voltava com outro programa das 10h às 12h.
 
 
 
Zk – E o Mesa de Bar. Como começou e por que parou?
 
Samuel Castiel – Há quatro anos nasceu a possibilidade de fazer uma programa diferente na rádio, ou seja, transmitido diretamente da calçada do Bar do Bigode com uma programação musical com músicos e cantores se apresentando ao vivo, abracei a idéia e conseguimos fazer um link com a rádio Transamazônica 105.9 e o programa ia ao ar todos os sábados das 18h às 20h. Esse programa foi transmitido sem nenhuma interrupção durante três anos. Viam pessoas de todos os bairros para se apresentar e lá essas pessoas tinham toda chance que não tinham em outro tipo de mídia. Saiu do ar por falta de patrocínio e a rádio apesar de ser comunitária tinha despesas com a programação e os patrocinadores que arrumamos com o tempo começaram a atrasar o pagamento e o negócio ficou dificil. Acho também que foi falta de interesse dos dirigentes da rádio em manter o programa no ar, Devo salientar que eu era apenas o apresentador do programa. O programa era propriedade da rádio. O interessante era que quando o programa saia do ar a gente continuava com o nome de “Calçadão” que ficava até as 21h e então abrimos mais um espaço que ia das 21 ás 22h que chamei de programa “Ninguém Merece”. Às vezes as pessoas não queriam se apresentar no “Ninguém Merece” achando que era gozação. Sem contar coma gentileza do Bigode que é um caso a parte.
 
Zk – Para encerrar! Como surgiu o bloco Trem das Onze?
 
Samuel Castiel – Certa vez estávamos no Bar do Bigode e era uma tarde de sábado de carnaval, quando passou pela rua aquele trenzinho cheio de criança. Então meu irmão Enio Castiel teve a idéia: ‘Por que, que a gente não faz uma brincadeira dessa de carnaval colocando os nossos amigos nesse trenzinho e saímos por aí fazendo uma parada em cada Bar que seriam as estações e a gente vai animando o carnaval de rua e todos abraçamos a idéia e já no próximo carnaval (2.000), colocamos o “Trem das Onze – Atrasado ou Já passou”. Só que o trenzinho só dava pra levar 20, pessoas e o contingente de foliões era muito maior. Veio à idéia de puxarmos o bloco com uma carreta e então colocamos mais de 80 foliões. O trajeto era o contrário ao da Banda do Vai Quem Quer. A gente descia a Carlos Gomes e a Banda subia. O bloco completou 10 anos e parou pelas exigências das autoridades em querer organizar o carnaval demais.
 
Zk – Parece que vem aí um livro sobre a história do nosso carnaval?
 
Samuel Castiel – Com a ajuda do meu dileto amigo Hokney estou copilando todo material pra que a gente faça um livro, resgatando toda essa história de carnaval, desde a dona Labibe Bartholo até os dias de hoje.
 

Fonte: DIÁRIO DA AMAZÔNIA

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