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Domingo, 22 de Outubro de 2017


Quinta-Feira, 26 de Março de 2009 às 08:46

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ESPECIAL - UNI Engenharia aplica golpe milionário em obra de drenagem da Zona Leste

Um escandaloso crime contra os cofres públicos foi praticado em Porto Velho e não pode ficar impune, nem cair no esquecimento. Quem na capital não conhece a UNI Engenharia, empresa ligada a políticos petistas do sudeste brasileiro, que ficou famosa na capital ao “executar” a obra da duplicação da Avenida Vieira Caúla, praticando um verdadeiro atentado a Engenharia e ao erário.
 
A senadora Fátima Cleide (PT) seria a patrona indicação da imoral UNI Engenharia para participar das licitações das obras do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal na capital rondoniense. Esta suposta indicação provocou até uma celeuma entre o prefeito Roberto Sobrinho e integrantes do grupo da senadora durante as eleições de 2008, em razão da paralisação da obras na avenida Vieira Caúla.
 
A empresa que caiu de pára-quedas em Rondônia, decerto vinda no mesmo avião que trouxe os milhões do PAC, ganhou diversas obras na capital. Desde a conhecida Vieira Caúla até obras de drenagens de águas pluviais de pequenas vielas na Zona Leste, locais onde os benefícios do poder público costumam não chegar.
 
E o golpe da UNI foi aplicado onde mais se precisa, onde a comunidade está desamparada e o homem simples não tem a percepção de entender o que realmente se passa a sua volta.
 
Foi na periferia da capital durante o ano de 2006 que foi realizada o mais sórdido ataque contra os cofres públicos de Porto Velho e governo federal que se tem noticia por estas paragens. Tramado por alguma mente maquiavélica, que deve ser presa e arrastada até a cela mais imunda do presídio Urso Branco.
 
Contrato milionário
 
A UNI Engenharia e Comércio Ltda, através do contrato N° 112/PGM/2006 com valor de R$ 10.778.614,92 iniciou os “trabalhos” em 2006 
para realizar serviços de drenagem em período contratual de 12 meses nas seguintes vias: rua Idalva Fraga Moreira trecho da rua Amazonas até Alexandre Guimarães,rua Antonio Violão, trecho da rua Amazonas até a rua Caúla, rua Aripuanã – trecho da rua Amazonas até a rua Oscarito, rua Mario Andreazza, trecho da rua União até a rua Jose Amador dos Reis, rua Azenha, rua Antonio Moreira Fraga, trecho da Igreja até o córrego, rua Benedito Inocêncio, trecho da rua União até a rua Mamoré e na rua Aruba, antiga Princesa Izabel.
 
Nestes locais que se encontram todos com as obras paralisadas, hoje não mais identificáveis, já que a administração municipal retirou as conhecidas placas vermelhas “Esta é mais uma obra para você”. O que se vê é o abandono, valas abertas, mato e muita lama. O município na época fez as medições e pagou cerca de quatro milhões para a UNI. Sabe-se lá porque, também aditivou (acrescentou) o contrato em mais três milhões.
 
Porém o mais grave é o que não se vê. O mais grave é o que se encontra enterrado, escondido da população e dos órgãos fiscalizadores. Com a certeza da impunidade, sem nenhum pudor, enterraram alguns milhões na lama. Com o auxilio de um engenheiro que trabalhou na obra, o Rondoniaovivo tira do fundo do buraco mais um golpe contra o povo de Porto Velho.
 
Obra fantasma
 
Existem ruas em que só foram cavadas as valas e nada mais foi feito. Um exemplo é a rua Idalva Fraga, onde um canal até hoje dificulta a entrada dos moradores nas suas casas. Existem residências em situação de risco, fato comprovado pela própria defesa civil do município, que recentemente colocou um plástico preto para tentar segurar um barranco que pode desmoronar e levar na correnteza uma casa com a família dentro.
 
Em todas as obras que estão inacabadas, foi utilizada na drenagem das mesmas, uma tubulação subdimensionada para a correta vazão das águas. De acordo com informações prestadas pelo especialista, as manilhas são menores do que estava programado no projeto apresentado ao Governo Federal.
 
Um exemplo é a rua Mario Andreazza, no trecho da rua União até a rua José Amador dos Reis, onde no meio da obra, na altura da Comercial Melo, as manilhas reduziram suas bitolas de 80 centímetros de diâmetro para 60 centímetros. Outra péssima amostra de como se trata o dinheiro do contribuinte foi dado na rua Idalva Fraga Moreira, no trecho da Avenida Amazonas até Alexandre Guimarães. Ali, além de boa parte da rua ainda estar com as valas abertas, no trecho tubulado, as manilhas foram reduzidas de 1,00 metro para 0,80cm.
 
No quesito aplicação da tubulação, outra imoralidade que teria sido supostamente praticada pela UNI, foi no assentamento das manilhas. Reza a Engenharia que deve se fazer um “colchão” de cascalho e sobre o mesmo, aplicar uma camada de areia. Não é o que foi feito. Os tubos de concretos teriam sido assentados direto no solo enlameado, com rejunte apenas pela parte superior externa. A rede naquele local estaria comprometida pela falta de suporte ao peso da galeria.
 
Demonstrando nenhuma preocupação com a leis da física, preocupados unicamente com a rapidez das obras eleitoreiras, os engenheiros da empresa não calcularam com exatidão o ângulo de “queda d’água” e hoje, existem pontos onde a drenagem não funciona, não escoando a água da chuva com a vazão programada. Tudo empoça e a região vira um grande lago após as chuvas.
 
Caixas sem ligações
 
Se já não bastassem estes péssimos exemplos, os empresários indicados por Fátima Cleide cometeram uma sacanagem inimaginável. 
Na rua Daniela, no trecho entre a Avenida Rio de Janeiro e Rua Benedito Inocêncio e também na rua Mario Andreazza, só construíram as caixas de junção, sem tampas e sem nenhuma ligação subterrânea para transpor os bueiros as redes principais.
 
 Por mais incrível que possa parecer, não cavaram vala nenhuma, não colocaram nenhum tubo, grande ou pequeno, apenas construíram as caixas de tijolo, que agora servem como depósito de lixo e criadouro de peçonhas.
 
De acordo com o engenheiro que acompanhou o trabalho de apuração jornalística, a única hipótese para as caixas de tijolo terem sido construídas sem a tubulação já assentada, sem as interligações subterrâneas através de manilhas de concreto é o de tentar maquiar as medições necessárias para o recebimento de recursos do contrato.
 
Ninguém em sã consciência pode conceber que o descaso chegasse a este ponto. Num exemplo mais simples, seria como uma pessoa construir uma casa e depois fazer o alicerce.
 
Num contraponto interessante, em uma das ruas visitadas pela reportagem, foi localizada em frente a uma igreja evangélica, justamente o contrário no quesito bueiro sem tubulação. Ali, a UNI fez as tubulações e não construiu as caixas de junção.
 
Tem que ficar claro para o leitor, que os empresários não agiram sozinhos. Alguém do poder público foi criminosamente conivente. Do município, devem ser investigados os fiscais de obra e secretários envolvidos no projeto. Técnicos da Caixa Econômica Federal, onde foram depositados os recursos do Ministério das Cidades também podem esclarecer o que de fato aconteceu nestes trechos.
 
Fiscalização
 
Todas estas ruas devem em regime de urgência receber a visita dos órgãos fiscalizadores do Governo Federal, Estadual e do Município. Os recursos do PAC, generosamente enviados ao povo desta cidade pelo presidente Lula, foram mal usados, pessimamente gerenciados e criminosamente desviados.
 
Outras obras de drenagem na capital que se utilizaram de recursos oriundos do Tesouro Nacional, 
também se encontram abandonadas. Entre elas, a obra executada pela empresa Enpa – Engenharia e Parceria Ltda, entre a rua Miguel Chaquian e a avenida Sete de Setembro (após o cruzamento da avenida Jorge Teixeira – BR 364). Esta obra faz parte do programa de Urbanização de Assentamento e Precários do Ministério ds Cidades e compreende os bairros Tiradentes, Calama, Paraíso e outros. O seu custo é de R$ 1.069.868,35 e deveria estar pronta no dia 31 de dezembro de 2008
 
A drenagem mal feita pela PMPV no canal dos Tanques, na extensão da Jorge Teixeira até a Rua Elias Gorayeb também está parada, com a interdição da referida rua. Uma imensa cratera impede o trânsito.
 
A obra era executada pela empresa Masterserv – Controle de Erosão e Comércio ( processo 11.0142/2007) que recebeu recursos federais do Ministério da Integração Nacional no valor de R$ 1.097.090,38. O prazo para conclusão da obra era de 120 dias e se encontra vencido há mais de 270 dias.
 
O TCU – Tribunal de Contas da União, os Ministérios Públicos Estadual e Federal devem com celeridade investigar as denúncias aqui apresentadas, no sentido de atestá-las e recuperar os recursos oriundos dos impostos pagos com o suor do trabalho do povo brasileiro. Os ordenadores de despesas que foram coniventes com este golpe devem ser presos, algemados e arrastados até a prisão, para aprenderem ter vergonha na cara e respeitar o cidadão rondoniense.
 
Prefeito
 
O prefeito Roberto Eduardo Sobrinho (PT) deve vir a público para dar explicações aos seus mais de 100 mil eleitores e ao restante da população desta capital, que tem cerca de quatrocentos mil habitantes, segundo o IBGE.
 
Deve agir com responsabilidade e hombridade exigidas para tão relevante cargo. Deve parar de colocar membros do partido para falar em seu nome. Aliás este jornal faz um apelo ao administrador municipal. Antes de colocar um assessor do tipo “papagaio” para tentar desqualificar esta apuração jornalística, que o mesmo tenha bom senso, pegue uma pá e vá cavar nos pontos indicados nesta reportagem. Para este ato simbólico em busca da moralidade administrativa, convide a imprensa e alguns vereadores para acompanhar a exumação deste cadáver da improbidade petista em Rondônia.
 


Fonte: Rondoniaovivo - Fotos Paulo Andreoli

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