Enquanto o agronegócio cresce e sustenta parte importante da economia brasileira, milhares de mulheres seguem invisibilizadas no campo. São produtoras rurais, agricultoras familiares, pecuaristas, extrativistas e empreendedoras que acumulam funções, sustentam famílias e movimentam comunidades inteiras — muitas vezes sem o devido reconhecimento jurídico, econômico e político.
Em tempos de Rondônia Rural Show, vemos uma multidão movimentando negócios, tecnologia e desenvolvimento. Mas existe uma realidade que precisa ser destacada: uma esmagadora parcela dessa força produtiva possui rosto feminino.
São mulheres que lidam diariamente com a gestão da propriedade rural, da produção, das finanças, da organização familiar e da administração do campo. Mulheres que acompanham plantio, produção, negociações, contratos, equipes e a sustentabilidade da atividade rural.
A mulher do campo deixou há muito tempo de exercer apenas função de apoio. Hoje ela administra propriedades, lidera empreendimentos, movimenta cooperativas e participa ativamente do crescimento econômico do setor produtivo.
Ainda assim, muitas seguem invisíveis nos espaços de decisão e enfrentam barreiras históricas de acesso à terra, crédito rural, assistência técnica, regularização documental e participação política.
E é justamente nesse ponto que o Direito se torna essencial.
Garantir direitos à mulher produtora rural é garantir dignidade, autonomia e desenvolvimento social.
A legislação brasileira assegura às mulheres rurais direitos fundamentais que ainda são pouco conhecidos ou efetivados na prática, entre eles:
* acesso ao crédito rural em nome próprio;
* aposentadoria rural;
* salário-maternidade da segurada especial;
* participação em programas de agricultura familiar;
* direito à titularidade da terra;
* proteção contra violência patrimonial e doméstica;
* inclusão em cooperativas e políticas públicas;
* acesso à regularização fundiária e sucessória.
Além disso, a mulher rural exerce papel fundamental na preservação ambiental e na sustentabilidade da produção agrícola, especialmente na agricultura familiar, que sustenta milhares de famílias brasileiras.
Outro ponto que merece atenção é a violência silenciosa sofrida por muitas mulheres no campo. O isolamento geográfico, a dependência financeira e a dificuldade de acesso aos órgãos públicos acabam dificultando denúncias de violência doméstica, assédio, violência patrimonial e violações de direitos humanos.
Muitas mulheres produzem, administram e sustentam propriedades rurais sem sequer possuírem documentação em seus nomes ou segurança jurídica sobre aquilo que ajudam a construir durante toda uma vida.
Não existe fortalecimento do agro sem fortalecimento feminino.
Precisamos avançar em políticas públicas reais, acesso à informação jurídica, incentivo ao empreendedorismo feminino rural, assistência técnica especializada e participação efetiva das mulheres nos sindicatos, associações, cooperativas e espaços políticos.
A mulher do campo não precisa apenas de homenagem em eventos e campanhas institucionais. Precisa de voz, proteção, reconhecimento e oportunidade.
Porque onde existe uma mulher cultivando a terra, existe também alguém cultivando futuro, desenvolvimento e transformação social.