A relação do brasileiro com o próprio dinheiro ainda é marcada pela autonomia — e muitas vezes pela falta de orientação. Uma nova pesquisa mostra que seis em cada dez pessoas (57%) não contam com nenhum tipo de apoio profissional para tomar decisões financeiras.
A maioria tenta resolver tudo sozinha: 34% dizem buscar informações por conta própria, recorrendo a vídeos, internet, conhecidos ou até ao próprio banco. Outros 23% admitem que nunca sequer pensaram em procurar ajuda para organizar suas finanças.
O dado acende um alerta, mas também aponta oportunidade. Especialistas destacam que o baixo uso de planejadores financeiros revela um espaço enorme para expansão desse tipo de serviço no país. Com juros altos, endividamento elevado e instabilidade econômica, decisões mal tomadas podem custar caro — e justamente quem mais precisa de orientação tende a não buscá-la.
O levantamento sugere que a cultura de planejamento financeiro ainda engatinha no Brasil. Para muitos, pedir ajuda ainda soa como sinal de fragilidade ou algo reservado a quem tem muito dinheiro, quando na prática os maiores ganhos de organização costumam aparecer na rotina de quem vive apertado.
A expectativa é que a busca por profissionais cresça nos próximos anos, impulsionada pela digitalização dos serviços financeiros e pelo aumento do número de consultores certificados atuando no país. Até lá, a maioria dos brasileiros continua navegando sozinha no mar de juros, boletos e decisões que moldam o futuro financeiro.