Os presidentes de dois dos maiores partidos do Congresso, Valdemar Costa Neto (PL) e Antônio Rueda (UB), disseram a empresários em São Paulo que vão articular para impedir o avanço da PEC que prevê o fim da escala 6x1 no Congresso. As declarações foram repercutidas por veículos da imprensa nacional nesta segunda-feira (23).
Segundo eles, a estratégia é tentar segurar a tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, evitando que o texto chegue ao plenário.
“Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum. O que nós pretendemos fazer? Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ, é onde vai ser a guerra”, disse Valdemar Costa Neto, do PL.
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda disse ter uma posição pessoal contrária ao projeto e também defendeu segurar a PEC nas comissões. “Eu defendo uma posição junto com o Valdemar de que a gente possa construir uma blindagem dentro das comissões, principalmente na CCJ. Para a poder ir ‘barrigando’ isso”, disse.
6x1 é chamada de 'escravidão moderna'
A escala 6x1 é um regime de trabalho no qual o funcionário trabalha seis dias consecutivos e possui apenas um dia de descanso na semana. O governo quer alterar para dois dias de folga.
O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) fez críticas duras ao modelo atual de jornada, especialmente no comércio, onde trabalhadores chegam a cumprir até 60 horas semanais somando deslocamento e expediente.
“Essa escala seis por um, que na verdade se tornou no século XXI a escravidão moderna”, enfatizou o deputado, que também rebateu análises econômicas que questionam produtividade do trabalhador brasileiro. “Todo trabalhador brasileiro sabe que ele trabalha muito”, destacou.