Um levantamento baseado nos microdados do Exame Nacional das Escolas Médicas (Enamed), do Ministério da Educação (MEC), trouxe um dado que chamou atenção. Os resultados indicam que estudantes de medicina de faculdades privadas tiveram desempenho inferior aos das instituições públicas em 85 das 90 questões válidas da prova, o que corresponde a 94% do exame.
Entre os 107 cursos que receberam notas 1 e 2 — classificadas como insuficientes na avaliação federal — 87 pertencem à rede privada, onde as mensalidades podem chegar a R$ 17 mil.
Outro ponto curioso é que o desempenho mais baixo das instituições privadas ocorre mesmo entre estudantes com perfil socioeconômico mais elevado. Nessas faculdades, mais de 35% dos alunos têm renda familiar superior a seis salários mínimos, e 36% têm mães com ensino superior. Nas universidades públicas, esses números são 19% e 31%, respectivamente.
O exame também apontou diferenças no perfil racial dos estudantes.
Alunos autodeclarados pretos e pardos representam 37% nas universidades públicas, que adotam sistema de cotas, contra 27% nos cursos privados.
Diante desse cenário, o Ministério da Educação decidiu suspender temporariamente a criação de novos cursos de medicina em instituições privadas.