“A educação tem jeito, sim!”, disse Alinne ‘Mape’ Bispo em visita ao Rondoniaovivo, quando questionada sobre a situação do ensino brasileiro e rondoniense. Nesta segunda-feira (9), a egressa do curso de teatro da Universidade Federal de Rondônia (Unir) vai iniciar uma peregrinação até Parintins. Ela foi aprovada para o programa de pós-graduação em educomunicação e linguagens na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
A educomunicadora e artista de 24 anos de idade nasceu em Mirinzal, município a 424 km de distância de São Luís, no Maranhão, mas veio para Rondônia ainda com oito anos de idade. “Meu pai veio para cá para trabalhar, e minha mãe achou que a gente teria mais perspectivas de crescimento - principalmente na educação”, contou a jovem. A mãe de Alinne também é professora, mas quando chegou em terras rondonianas precisou trabalhar como empregada doméstica.
“Ela sempre falou que a nossa única oportunidade de crescimento era o saber. Que a educação era a nossa única arma de sobrevivência”, disse a mestranda. “Ser mulher, em qualquer lugar, é estar muito vulnerável. Estar em um lugar sem uma rede de apoio, me faz sentir vulnerável nesse sentido. A questão financeira também pesa muito”, contou Alinne para a reportagem.
Durante a graduação, na Unir, Alinne participou de um grupo de extensão de práticas educomunicativas, chamado Rádio Educação Cidadania (REC). Sob orientação da doutora Evelyn Morales, ela pesquisou e produziu materiais sobre cidadania e direitos humanos.
O que é educomunicação?
A educomunicação é uma estratégia e um paradigma norteador de ações pedagógicas, sociais, culturais, que abrangem pessoas que não são do campo da comunicação - como no caso de Alinne, que cursou teatro. “Ela utilizava a arte de uma forma educativa e comunicativa, por meio desse paradigma orientador sociocultural, tornando a informação mais lúdica e artística”, explicou a professora Morales para o Rondoniaovivo.
Durante a graduação, Bispo produziu materiais informativos sobre serviços essenciais e de cidadania para a população. Confira uma das produções da mestranda no REC no vídeo abaixo:
“Eu acredito muito que a educomunicação é uma arma, principalmente porque ela coloca a pessoa como centro do processo e dá muita autonomia para o sujeito. Antes, especificamente no movimento indígena, usávamos arco e flecha para defesa. Hoje, usamos o celular como arma de denúncia”, disse Bispo.
Na visão da professora Morales, a oportunidade de continuar os estudos sobre educomunicação representa uma chance de construir uma comunicação mais democrática, criativa, dialógica e horizontal.
“Aprender sobre educomunicação é também aprender que você não é um ser humano isolado no mundo, que você é um ser de relações com os outros e também com o mundo. É uma solidariedade, é uma humanização das produções”, concluiu Morales.
“É importantíssimo que a sociedade também possa apoiar esse desejo legítimo e nobre de Alinne: o desejo do estudo e da multiplicação desse conhecimento. Ela sai da graduação e passa para a pós-graduação, que vai qualificá-la ainda mais para uma sociedade que vai receber dela diálogos, palestras, cursos, aulas em escolas privadas ou públicas. Com um conhecimento mais refinado, mais elaborado, profundo e com responsabilidade. Quanto mais nós pudermos oferecer esse suporte a pessoas como Alinne, que fez um curso em uma universidade pública e agora está buscando esse aprimoramento, mais também a gente está contribuindo para uma sociedade mais justa, mais comprometida com um projeto de democracia e de responsabilidade social”, afirmou a orientadora.
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