Procurador federal de RO rebate acusações de Veja, afirma que irá processar a revista

Procurador federal de RO rebate acusações de Veja, afirma que irá processar a revista

Procurador federal de RO rebate acusações de Veja, afirma que irá processar a revista

Foto: Divulgação

A edição do dia 23 de abril da revista Veja trouxe à baila a questão do seqüestro de autoridades no mês de dezembro pelos índios da etnia Cinta-Larga em Espigão d´Oeste, interior do estado. A revista intitulou como “seqüestro fajuto”, a retenção de um membro do Alto Comissariado de Direitos Humano da ONU, David Martín Castro; o procurador da república, Reginaldo Pereira da Trindade acompanhado de sua esposa, e mais três pessoas. Na reportagem fica claro que o “falso seqüestro” na verdade fazia parte de um complô esquematizado por Trindade junto com o índios, para que os mesmos conseguissem chamar a atenção da imprensa nacional e conseguir a presença do presidente da Funai à tribo. Além de afirmar que o procurador forjou o seqüestro, há também as denúncias de que o mesmo favorecia a causa das ações ilegais da etnia Cinta Larga através da exploração de diamantes, que apoiava a extração ilegal de madeiras na reserva Suruí e que como procurador nada fazia para tentar por fim a esta situação. O procurador da república, Reginaldo Trindade concedeu coletiva à imprensa na manhã desta sexta-feira(25), e foi categórico ao afirmar que em nenhum momento participou de complô, forjou uma situação ou prevaricou de suas funções permitindo que o grupo Cinta Larga ou Suruí continuasse praticando atos ilegais. TRABALHO Trindade explicou que estava na reserva à trabalho, à convite da ONU, inclusive com diárias, em que o objetivo da viagem era a capacitação dos índios na luta e defesa dos seus direitos no plano internacional, entre outras atividades de caráter oficial definidas em pauta pela ONU. A revista cita que teve acesso a uma declaração em que o procurador da república teria afirmado que iria a reserva de livre e espontânea vontade e ficaria lá até o comparecimento do presidente da Funai. De acordo com a reportagem, os “reféns” circularam livremente na aldeia e tiveram algumas mordomias, a exemplo do procurador Reginaldo da Trindade que teve à sua disposição até um celular Globalstar. Trindade teria inclusive se hospedado em uma casa reservada aos caciques. “Ficamos retidos pelos índios assim que começamos a reunião por volta das 14h do dia 08 de dezembro. Logo na primeira fala de Marcelo Cinta Larga o mesmo falou que nós só sairíamos dali quando o presidente da Funai fosse até a aldeia. As outras falas foram algumas mais brandas outras mais exaltadas, mas dos cerca de 100 indígenas, a maioria concordava que deveríamos ficar”, explicou Trindade Outra situação destacada pelo procurador para provar que não havia complô foi o fato de seus pertences estarem em hotel na cidade de Espigão, onde seria a base do grupo. Inclusive, assim que ficou definido que eles teriam que ficar na tribo, pediu que liberassem sua esposa e providenciassem a busca de seus pertences que estavam na cidade. “Minha esposa sim, ficou de livre e espontânea vontade, pois se recusou a ficar longe de mim. Agora nós, não. Fomos obrigados a ficar. Agora uma coisa é certa, seqüestro na forma ampla de interpretação, em que as pessoas ficam presas em um ambiente fechado, sem alimentação, recebendo maus tratos e pressão psicológica, isso não houve. Tanto que fiz questão de deixar isso bem claro na nota que divulguei à imprensa”. O seqüestro durou quatro dias ( 08/12 a 11/12), e só terminou após a presença do presidente da Funai, Márcio Meira. OUTRAS DENÚNCIAS Um vídeo em que o procurador aparece em uma reunião no dia 19 de agosto de 2005, também foi citado na matéria. Foram editados e divulgados trechos de falas do procurador afirmando que este sabia dos atos ilícitos, porém nada poderia fazer. O procurador disse que sabia das dificuldades econômicas do povo Suruí e que os mesmos estavam cansados de ouvir promessas. “É absurda essa conclusão de que fui omisso ou conivente com esta situação. Extraíram fragmentos de minha manifestação naquela reunião e não utilizaram os argumentos que apresentei ao repórter”, falou indignado o procurador. DIREITO DE RESPOSTA Reginaldo Trindade respondeu por e-mail de oito laudas ao repórter da Veja em que explicava toda a situação e tudo que vem fazendo como procurador sobre a causa da extração ilegal de madeira da reserva dos índios Suruí e também, assim como também relatou tudo que aconteceu na ocasião do seqüestro. Logo no início do documento Trindade ressalta que nunca estimulou, por qualquer modo a exploração de madeiras nas terra indígenas, muito menos garantiu aos índios que não haveria repressão por parte dos órgãos de fiscalização caso eles persistissem na ilegalidade. Quanto ao seqüestro, Trindade também afirmou no e-mail que em suas palavras ao se tornar refém, afirmou mais ou menos assim: “vocês estão certos. Vocês todos estão cobertos de razão. Vocês têm razão de duvidar das promessas do governo... de estarem dasanimados, desesperançosos, indignados... Quero dizer que compartilho com vocês desses sentimentos...Já deixei de trabalhar com comunidades indígenas há mais de ano. Permaneci, por minha própria vontade, trabalhando apenas na questão Cinta Larga. Fiquei porque quero ajudá-los. Fiquei porque acredito na seriedade do trabalhão que estamos a conduzir. Estou do lado de vocês, não sou inimigo que precisa ser detido até que uma solução advenha... Trindade se queixou que nenhuma linha do que escreveu foi utilizado na matéria, apenas o que falou com o repórter por telefone. Nem o depoimento colhido do motorista da prefeitura de Espigão, que também ficou como refém na aldeia. O motorista, segundo o procurador também negou que tivesse sido um complô, inclusive afirmou que os índios reteram as chaves do carro para que eles não saíssem da aldeia. “Nada que foi falado em meu favor foi utilizado pela revista, nem mesmo as respostas concedidas pelo índio Almir Suruí sobre a questão da exploração da madeira na reserva daquele povo”, queixou-se Trindade. Na entrevista feita também por e-mail ao índio Almir Suruí, o mesmo afirmou que não se lembrava de qualquer acordo firmado com os índios na reunião de 2005 pelas autoridades presentes, para que estes continuassem praticando a exploração ilegal para resolver seus problemas econômicos. O procurador afirmou que, por todos estes fatos, a conduta do repórter é questionável e que portanto irá entrar com ação para pedir direito de resposta da revista e pedir ressarcimento por danos morais e pedir os documentos que a revista possui e em que se baseou para fazer a matéria. REPRESENTAÇÃO CRIMINAL Reginaldo Trindade foi enfático ao falar que não poderia dizer o que pensava, mas que interessa há muitas pessoas no estado barrar suas ações em função das mais de 500 investigações de atos administrativos que estão sendo feitas por ele. “Ficou claro que houve maquinação, conspiração contra este procurador. È mais uma tentativa de macular nossa honra. Portanto estamos estudando entrar com uma representação criminal para apurar de onde surgiram essas denúncias, pois há várias pessoas que teriam motivos para nos calar. È uma pena que tentam fazer isso utilizando um grande veículo de comunicação para macular nossa imagem e nos condenar pela opinião pública”. Para começar o procurador afirmou que irá pedir a íntegra dos vídeos e juntará farta documentação que irá provar que jamais prevaricou ou compactuou com atos ilícitos. “O MPF é maior que isto e está acima de uma revista Veja. Mesmo assim lamento que isso tenha acontecido com uma revista de tamanha importância, porém os culpados terão que arcar com as conseqüências”. Leia também: Superintendente da PF diz que risco de seqüestro de autoridades federais na região já era conhecido Presidente da Funai negociará libertação de cinco detidos por índios Cinta-larga ROOSEVELT - Identificado mais um refém dos Cinta-larga Reunião entre índios Cintas-Largas e presidente da Funai não chega a acordo CINTA-LARGA - Índios devem ir à Brasília se reunir com o ministro Nelson Jobim
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