Ele adentrou a sala do J2, da primeira turma de comunicação social da Faro em 2002. Gaúcho, jornalista, pesquisador, gremista e um tagarela de conteúdo.
Disciplina: história do jornalismo. No quarto período viria com a disciplina de teoria da comunicação I e II – quando nos deu a permissão e insistiu na ideia de um filme que fizemos em homenagem a “2001 – Uma odisseia no espaço “.
Hamilton Lima era um professor verborrágico, fazia anotações no quadro e em cima delas falava, contava histórias, viajava em odes fleumáticas de figuras históricas do jornalismo. Amava cinema e gostava de inserir didatismo com cultura pop.
Era uma figura carismática e se tornou emblemática para a nossa turma.
Nessa época escrevia para o jornal O Estadão do Norte e ainda era redator de publicidade na agência Ampla, em Porto Velho, onde o repórter policial Paulo Motta relembrou quando o tinha como redator no tempo que trabalhava com publicidade na mesma agência.
Logo que se formou a primeira turma de jornalismo de Rondônia, em 2005, ele se juntou a quatro jornalistas recém formados, foi consultor e ajudou a criar a linha editorial do site de notícias Rondoniaovivo, éramos eu, Adriel Diniz, Paulo Andreoli e Ana Christina Barros. A base do que viria ser o portal de maior acesso do Estado teve a sua gênese ali.
Quando partimos para o impresso também, lá estava ele, Hamilton Lima. Foi nosso primeiro editor chefe, pois era o que tinha DRT para ser vinculado como profissional responsável da nossa redação.
O Ministério da Educação veio reconhecer nosso curso dois anos depois de concluído e assim veio a emissão dos nossos certificados de conclusão do curso superior. Para um projeto muito bonito que nasceu na faculdade, Hamilton nos deu todo apoio e a sua dedicação profissional.
Quando já estávamos muito bem estabelecidos profissionalmente e com encargos maiores e de empresários da comunicação, Hamilton estava lá com a gente, participando de viagens e coberturas de pautas no interior, como um ótimo ouvinte que era e (ainda) melhor consultor.
Foi professor e mestre na Uniron também, onde ajudou e formou novos profissionais da comunicação em Rondônia. Hamilton estabeleceu um vínculo muito forte e criou um legado no jornalismo local que se tornou ímpar. Sempre se alinhou a ética, na informação apurada e na luta pela verdade dentro de um saber de guerrilha cultural, filosofia de urgência e coerência.
Um amigo antes de tudo, um profundo conhecedor das formas diversas e a alma da comunicação, sem negar a sua práxis de ensinar e nos dar voz às nossas inquietações em querer sermos sempre o melhor naquilo que propusemos a fazer.
Jornalismo.
Nesta quinta-feira (11) eu tive um choque, o choro contido de não poder expressar além do que queria. Meu amigo e irmão do coração Humberto Oliveira - que dividiu comigo a faculdade - me deu a triste notícia da morte de Hamilton, nos pampas. Infarto.
Como pode?
Outro dia, eu e ele comentamos: “caramba, o Hamilton sumiu das redes sociais”. Era sempre ativo, divulgando as ações da Unipampa, faculdade onde lecionava há mais de dez anos.
Numa publicação de um dos filhos do nosso querido professor e amigo a verdade veio como um tiro à queima roupa. Morreu.
Morreu fazendo aquilo que mais amava, acompanhando uma turma de acadêmicos num evento educacional – sendo professor.
Muito triste a notícia. Hamilton é daquelas pessoas criativas que criam discípulos do saber. Na faculdade, na Faro, ele tinha um prestígio alto para quem de fato queria estudar, aprender. Ao lado de mestres como Sara Xavier, Solano Ferreira, Jacinta, professora Rita, Benedito Teles, os dois Francisco – de filosofia – e Júlio Ayres, deixou uma marca sem precedente na nossa turma.
Nesta quinta-feira, Paulo Andreoli, diretor e responsável pelo Rondoniaovivo, assim como Solano, atual editor chefe, dedicaram uma matéria especial ao Hamilton, e fizeram muito bem em lembrar o enorme legado que ele deixou em Rondônia.
Eu esperava reencontra-lo um dia e lembrar de tantas histórias e aventuras. Não deu tempo. Infelizmente.
Obrigado por tudo Hamilton.
Meu amigo, meu mestre.