ESPECIALISTA ALERTA: Mudanças climáticas já impactam a saúde da população em Rondônia

Calor extremo, queimadas e chuvas intensas já provocam reflexos na saúde da população

ESPECIALISTA ALERTA: Mudanças climáticas já impactam a saúde da população em Rondônia

Foto: Assessoria

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O aumento das temperaturas, a intensificação das queimadas e as mudanças no regime de chuvas já produzem efeitos diretos na saúde da população de Rondônia. O alerta ganha ainda mais relevância neste 16 de março, Dia Nacional da Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, data que chama atenção para os impactos ambientais e seus reflexos no organismo humano.
 
Segundo o médico e coordenador do curso de Medicina da Afya Centro Universitário São Lucas, Arlindo Jr., o estado já enfrenta sinais claros dessa relação entre clima e saúde pública. Ele explica que três fatores têm provocado impactos mais evidentes na região: o calor extremo, a fumaça das queimadas durante o período de seca e as chuvas intensas.
 
"Aqui no nosso estado, o impacto vem principalmente de três formas: o calor extremo, que está cada vez mais frequente; a fumaça das queimadas no período da seca, que castiga nossos pulmões; e as chuvas intensas, que favorecem a proliferação de mosquitos transmissores de doenças. Essas mudanças desequilibram o nosso organismo e mostram como o clima local pode afetar diretamente a saúde da população rondoniense", afirma.
 
 
Sinais do corpo
 
De acordo com o especialista, o próprio corpo costuma emitir sinais quando sofre os efeitos dessas condições climáticas. Durante períodos de calor intenso, por exemplo, é comum o surgimento de sintomas como cansaço excessivo, tontura, dores de cabeça e alterações na pressão arterial, especialmente em pessoas que já possuem hipertensão. "O corpo é muito sábio e 'grita' quando não está bem. No calor intenso, muitas pessoas apresentam tontura, dor de cabeça forte, sensação de pressão baixa ou até aumento da pressão em quem já é hipertenso", explica.
 
Nos períodos de seca e queimadas, os problemas respiratórios tendem a aumentar. "Nariz sangrando, olhos irritados, tosse seca e sensação de falta de ar são sinais comuns quando há grande concentração de fumaça no ar", acrescenta.
 
Além disso, o excesso de calor e umidade pode favorecer o surgimento de problemas de pele, como brotoejas, coceiras e micoses.
 
 
Grupos mais vulneráveis
 
Embora os efeitos das mudanças climáticas atinjam toda a população, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas.
 
No caso das crianças, o risco está relacionado ao metabolismo mais acelerado e à maior perda de líquidos, o que pode provocar desidratação mais rapidamente. Além disso, o sistema respiratório ainda em desenvolvimento torna esse grupo mais sensível aos poluentes presentes na fumaça.
 
Entre os idosos, as altas temperaturas podem sobrecarregar o sistema cardiovascular. "Com o envelhecimento, o organismo perde parte da capacidade de regular a temperatura e também diminui a sensação de sede. Isso pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares, como infartos e AVCs, principalmente durante ondas de calor", destaca Arlindo Jr.
 
Gestantes também precisam redobrar a atenção, já que o estresse térmico pode afetar tanto a saúde da mãe quanto o desenvolvimento do bebê.
 
Outro grupo que exige atenção são pessoas com doenças crônicas, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), hipertensão e diabetes, que podem ter agravamento dos sintomas diante do calor extremo ou da fumaça.
 
Além disso, populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica tendem a enfrentar riscos maiores, principalmente devido a moradias com pouca ventilação, acesso limitado à água potável e atividades profissionais realizadas sob forte exposição ao sol.
 
 
Quando procurar atendimento médico
 
O especialista também orienta a população a ficar atenta aos sinais de alerta que indicam a necessidade de procurar atendimento médico. "Se houver falta de ar persistente, tontura, desorientação, febre alta, dificuldade para se hidratar ou qualquer sensação de aperto no peito, é fundamental buscar uma unidade de saúde para avaliação", orienta.
 
Para ele, reconhecer os sinais do corpo e agir rapidamente pode evitar complicações. "Aqui em Rondônia, a população já está acostumada com o clima quente, mas isso não significa que precisamos enfrentar essas condições sem cuidado. As unidades de saúde estão preparadas para acolher quem precisar de atendimento", conclui.
 
 
Afya Amazônica
 
A Afya tem uma forte relação com a Amazônia, com 16 unidades de graduação e pós-graduação na Região Norte. O estado de Rondônia conta com duas instituições de graduação (Afya Centro Universitário São Lucas e Afya Ji-Paraná). Tem ainda dez escolas de Medicina em outros estados da Região: Amazonas (2), Acre (1), Pará (4)  e Tocantins (3). Além delas, a Afya também está presente na região com outras 3 unidades de pós-graduação médica nas capitais Belém (PA), Manaus (AM) e Palmas (TO).
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