A Copa do Mundo de 2026 está chegando e a expectativa em torno da Seleção Brasileira nunca foi tão misturada de esperança e cautela. Depois de um ciclo de Eliminatórias turbulento, o Brasil chega ao torneio com um elenco talentoso, mas ainda em construção. Isso depois de passar por três treinadores diferentes antes de Carlo Ancelottio assumir o comando em 2025. O hexa é o objetivo. O caminho, porém, não vai ser fácil.
Grupo C: quem o Brasil vai enfrentar?
O sorteio realizado em dezembro de 2025, no Kennedy Center, em Washington, colocou o Brasil no Grupo C, ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. No papel, é um grupo favorável, mas longe de ser passeio.
O Marrocos é, sem dúvida, o adversário mais perigoso da fase. A seleção africana chegou às semifinais da Copa de 2022 e mantém a base daquele elenco histórico, com Achraf Hakimi liderando uma equipe coesa e com um jeito todo próprio de complicar a vida de qualquer adversário. A estreia do Brasil acontece justamente contra os marroquinos, em 13 de junho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Isso será um jogo que pode definir o tom de toda a campanha.
A Escócia representa organização tática e muita intensidade, enquanto o Haiti traz o elemento da imprevisibilidade. O confronto com os haitianos está marcado para 19 de junho, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, e o encerramento da fase de grupos ocorre no dia 24 de junho, no Hard Rock Stadium, em Miami, diante dos escoceses.
Os jogadores que o Brasil vai precisar
A ausência de Rodrygo, confirmada no início de março de 2026 após grave lesão no joelho direito, é o maior problema imediato de Ancelotti. O camisa 10 do Real Madrid era a peça que equilibrava o setor ofensivo: menos individualista que Vinícius Júnior e mais técnico do que um centroavante puro.
Dito isso, o Brasil ainda conta com um elenco riquíssimo:
Vinícius Júnior (Real Madrid): principal nome ofensivo, velocidade e decisão em momentos-chave
Raphinha (Barcelona): vive o melhor momento da carreira, com liderança e precisão nas bolas paradas
Estêvão (Chelsea): jovem fenômeno que já se consolidou entre os titulares de Ancelotti
Bruno Guimarães (Newcastle): controle e inteligência no meio-campo
Alisson (Liverpool) e Marquinhos (PSG): pilares de experiência na defesa
Quais são as chances reais de título?
Nas projeções das casas de apostas, o Brasil aparece entre o quarto e o sétimo favorito ao título, com odds entre 8,50 e 10,00. Espanha, França e Inglaterra estão à frente nas cotações.
Modelos estatísticos, como o da Opta, atribuem ao Brasil cerca de 5,6% de probabilidade de conquistar o hexacampeonato.
São números que, honestamente, refletem a instabilidade do ciclo anterior, e não necessariamente o potencial real do elenco. Historicamente, sete das oito Copas disputadas nas Américas foram vencidas por seleções sul-americanas, o que joga a favor de Brasil.
O que esperar da Seleção em 2026
Ancelotti tem demonstrado, nos primeiros meses de trabalho, que sabe lidar com pressão e com elencos de alto nível. O esquema com dois volantes fixos e um quarteto ofensivo fluido tem funcionado, mas os jogos da última Data FIFA de março trouxeram sinais mistos. Contra a França, o Brasil foi derrotado por 2 a 1 — um resultado que expôs fragilidades defensivas e a falta de consistência sem bola. Já contra a Croácia, a Seleção reagiu com uma vitória convincente por 3 a 1, mostrando que o potencial ofensivo está lá quando o time funciona em bloco.
Esses dois resultados, tomados juntos, são o raio-x mais honesto da Seleção antes do Mundial: um time capaz de bater qualquer adversário quando em dia, mas ainda vulnerável quando o adversário impõe intensidade e pressão. A convocação definitiva para o torneio dirá muito sobre as escolhas de Ancelotti para resolver essas dúvidas.