Só o Lulinha Pode Impedir a Vitória do Lula - por Daniel Pereira

Só o Lulinha Pode Impedir a Vitória do Lula - por Daniel Pereira

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As eleições presidenciais de 2026 prometem a mesma dosagem de infarto de 2022. Salvo, é claro, as surpresas de praxe da nossa política. A última foi um ruidoso áudio de Flávio Bolsonaro para Daniel Volcaro, cobrando o pagamento por um filme apropriadamente batizado de Dark Horse. Em bom português: "o azarão". Pelo visto, o título era premonitório. O azarão acabou sendo o próprio projeto político da família Bolsonaro.
 
Mas na política, como no futebol, o jogo só acaba quando termina. Para a oposição, a última réstia de esperança atende pelo nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o rebento mais famoso do atual inquilino do Alvorada. A torcida é por uma traquinagem, um deslize, qualquer coisa que sirva de munição.
 
A estratégia é velha, mais velha que a própria República. No ano 60 antes de Cristo, Quintus Tullius Cicero escreveu um manual de sobrevivência política para o irmão, Marcus Tullius Cicero — que vinha a ser apenas o maior orador da língua latina e candidato a Cônsul em Roma. Marcus era o que os romanos chamavam de homo novus, um sujeito sem berço nobre, enfrentando o preconceito da elite patrícia. O conselho do irmão mais velho foi cirúrgico: "Conheça as fraquezas dos seus oponentes e explore-as". Vinte séculos depois, o conselho continua parecendo saído do grupo de WhatsApp de uma campanha eleitoral moderna.
 
Em 1989, na primeira eleição direta após vinte e cinco anos de jejum democrático, Fernando Collor de Mello seguiu a cartilha de Quintus à risca. Levou ao ar Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, acusando-o de ter sugerido um aborto da filha dos dois, Lurian. O estrago foi monumental. Pouco importava que Miriam nem morasse com a filha de quinze anos, que fora criada pela avó paterna, a Dona Lindu. O soco no estômago funcionou. Na política brasileira, a ficção bem ensaiada costuma ter mais apelo que a realidade factual.
 
Mais recentemente, o alvo voltou a ser o Lulinha. No imaginário febril dos seus detratores, o rapaz virou uma espécie de Rei Midas do cerrado. Já foi dono da Friboi, latifundiário com terras que vão do Chuí ao Oiapoque e, no ápice do delírio geopolítico das redes sociais, sócio da Havan — sim, aquela do indefectível Luciano Hang, o patriota de verde-amarelo. Um assombro.
 
A obsessão em golpear o presidente pela árvore genealógica é uma força da natureza. Na CPI do INSS, tentaram de tudo para arrastar para o centro do picadeiro o Frei Chico, irmão de Lula, um octogenário dirigente sindical. Não colou, e os refletores miraram novamente no Lulinha.
 
Como bem resumiu o velho Quintus Tullius lá em Roma, um bom escândalo é sempre bem-vindo para animar os palanques. Por enquanto, Lula assiste às presepadas da oposição do outro lado da rua, torcendo para que os vizinhos continuem barulhentos, mas confinados ao próprio quintal. Que assim seja. 
 
Daniel Pereira: advogado, ex-governador e o maior detentor de mandatos pelo PT no século passado em Rondônia.
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