A Presença Vital do SAMU: Uma Conquista da Saúde Pública

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Para a maioria das cidades brasileiras, ver uma ambulância e uma equipe especializada prestando atendimento rápido em vias públicas ou emergências domiciliares tornou-se parte da rotina. Essa resposta ágil divide-se, no país, entre duas instituições fundamentais: o Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência — o SAMU.
 
Acionado pelo número 192 e disponível 24 horas por dia, o SAMU é um serviço público e gratuito indispensável para o socorro imediato em casos traumáticos e emergências médicas. A integração do serviço ao cotidiano dá a impressão de que ele sempre existiu. No entanto, sua trajetória é recente: o programa foi criado em 2003, no início da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob a liderança do então ministro da Saúde, Humberto Costa. Até aquele momento, o atendimento pré-hospitalar dependia essencialmente das corporações de bombeiros, que atuavam sob forte precariedade estrutural. A chegada do SAMU representou um divisor de águas na saúde pública nacional.
 
Em Rondônia, essa transformação teve início em 2005, durante o primeiro mandato de Roberto Sobrinho na Prefeitura de Porto Velho. Posteriormente, a expansão alcançou o interior do estado a partir de Ariquemes, na gestão do então prefeito Confúcio Moura.
 
Para viabilizar o serviço, Confúcio precisou superar uma exigência técnica do Ministério da Saúde: as diretrizes federais condicionavam a instalação do SAMU a um contingente populacional mínimo que Ariquemes, isoladamente, não atingia. A solução veio com uma articulação regionalizada do projeto, somando a população dos municípios do Vale do Jamari para atingir a meta necessária e garantir a cobertura para toda a região.
 
O acesso ao atendimento móvel de urgência consolidou-se como uma das políticas públicas mais relevantes para a preservação de vidas. Trata-se de uma conquista estrutural da sociedade, viabilizada pelo empenho de gestores públicos que priorizaram a descentralização e a ampliação da saúde emergencial.
 
Neste momento de intensa polarização política, o SAMU surge como um claro exemplo do impacto concreto de iniciativas lideradas por gestores progressistas de esquerda. Quando questionarem as realizações desses governos, basta olhar para a rua: é bem provável que uma ambulância  esteja passando para salvar mais uma vida.
Daniel Pereira é professor, advogado e ex-governador de Rondônia (2018).
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