Canetas 'Emagrecedoras': para o bem e para o mal - por Dr. Luís Aranha

Dr. Luís Aranha - Professor no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do ICB5, em Monte Negro (RO)

Canetas 'Emagrecedoras': para o bem e para o mal - por Dr. Luís Aranha

Foto: Divulgação

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As substâncias contidas nas badaladas (e caras!)  “canetas emagrecedoras”, contém hormônios que mimetizam a ação de hormônios já produzidos pelo nosso próprio organismo (intestino delgado). Estes hormônios foram descritos pelo cientista belga La Barre em 1932, que concluiu, na época, que eles estimulavam a produção de insulina pelo pâncreas. (que reduz o açúcar no sangue) . Estes hormônios, atualmente, são produzidos de forma sintética em laboratório e recebem o nome de agonistas do GLP-1 e GIP.
 
Suas propriedades, quando usadas de forma adequada, são uma revolução no tratamento do Diabetes 2 e obesidade. Além destas propriedades, promovem proteção cardíaca e dos rins, geralmente muito afetados no Diabetes 2.
 
O GLP-1 reduz a sensação de fome, reduz o tempo de esvaziamento gástrico (reduzindo a sensação de fome), aumenta a secreção de insulina pelo pâncreas e bloqueia a produção do glucagon (que aumenta o açúcar no sangue). Assim, além de controlar o Diabetes 2, ajuda na perda de 10 a 15% do peso corporal, lembrando que a obesidade é um fator de risco para desenvolver o Diabetes 2, além de dificultar seu controle. As drogas sintéticas mais conhecidas e vendidas são a liraglutida e semaglutida
 
O GIP, por sua vez, aumenta a oferta de insulina pelo pâncreas, reduzindo o açúcar no sangue, e auxiliando no controle do Diabetes 2.
 
Recentemente, a indústria farmacêutica resolveu associar o GLP-1 com o GIP, criando a Tirzepatide, muito mais eficaz na redução do Diabetes 2 e da obesidade quando usados em conjunto.
 
Estes hormônios sintéticos, apresentam-se sob a forma injetável e a GLP-1 em comprimidos que já são comercializados no Brasil. A forma injetável deve ser conservada entre 4 a 8oC e ser utilizada 1 vez por semana de 2,5 mg até 15 mg/semana, com incrementos semanais e sob a supervisão de profissional capacitado. O comprimido pode ser conservado na temperatura ambiente e seu uso é diário, porém muito caro chegando a casa dos R$3.000.
 
Aqui começa a confusão....  há muitos destes medicamentos injetáveis que são vendidos de forma irregular (mais baratos) e uma boa quantia não deve ser preservada na temperatura adequada, fato que pode reduzir sua eficácia. Muitos usuários, no ensejo de emagrecer rapidamente, usam os injetáveis mais de uma vez por semana. Os efeitos colaterais mais comuns em doses semanais são enjoo, vômito e diarreia. No entanto, mais recentemente, estão se levantando evidências da associação com a inflamação do pâncreas (pancreatite), que é uma doença muito severa e por vezes letais. Ainda não há uma comprovação definitiva sobre este assunto, mas levantaram a lebre.....
 
Como sugestão de um clínico, com experiência em tratamento de Diabetes 2, as drogas são fantásticas, desde que conservadas na temperatura adequada e usadas com a periodicidade indicada, com a supervisão de um profissional capacitado.
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