DE ONDE VEM O DINHEIRO: Madeira ilegal e narcotráfico impulsionam mais de 18 mil homicídios na Amazônia

Os dados também apontam para um processo de interiorização da violência

DE ONDE VEM O DINHEIRO: Madeira ilegal e narcotráfico impulsionam mais de 18 mil homicídios na Amazônia

Foto: Divulgação/ Operação

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Um relatório do projeto Amazônia 2030 aponta que atividades ilegais, que vão da exploração de recursos naturais ao narcotráfico, contribuíram para um aumento expressivo da violência na região amazônica nas últimas duas décadas. Entre 1999 e 2023, municípios de pequeno porte da Amazônia Legal registraram 18.755 homicídios a mais do que teriam ocorrido caso seguissem a mesma trajetória de violência observada em cidades semelhantes do restante do país. Os dados abrem debates neste Dia Internacional das Florestas, celebrado hoje (21).
 
O estudo, intitulado Da exploração ilegal de recursos naturais ao tráfico internacional de cocaína: padrões de violência na Amazônia brasileira, analisa a evolução dos homicídios e sua relação com quatro fatores principais de risco: exploração ilegal de madeira, grilagem de terras, mineração ilegal de ouro e presença de facções ligadas ao tráfico de drogas.
 
No início dos anos 2000, municípios com menos de 100 mil habitantes na Amazônia e no restante do Brasil apresentavam taxas semelhantes de violência, com cerca de 10 homicídios por 100 mil habitantes. A partir de 2005, porém, as trajetórias passaram a divergir. Em 2023, cidades pequenas da Amazônia chegaram a registrar cerca de 30 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto municípios do mesmo porte no restante do país ficaram próximos de 20 por 100 mil.
 
Segundo o levantamento, 18.367 homicídios poderiam ter sido evitados entre 1999 e 2023 caso os quatro fatores de risco analisados não estivessem presentes.
 
Mudança no padrão da violência
 
O relatório indica que, no início dos anos 2000, grande parte dos homicídios estava associada à exploração ilegal de madeira. Com o passar dos anos, conflitos ligados à grilagem de terras e à mineração ilegal de ouro passaram a ganhar protagonismo na dinâmica da violência regional.
 
A partir da segunda metade da década de 2010, especialmente após 2018, ocorreu uma mudança significativa: a presença de facções criminosas ligadas ao narcotráfico passou a ter papel central no aumento dos homicídios.
 
Até 2017, apenas 29% das mortes relacionadas aos fatores de risco analisados estavam associadas à atuação de facções criminosas. Entre 2018 e 2023, esse percentual saltou para 56%, indicando a crescente influência do tráfico de drogas na violência da região.
 
No período mais recente analisado, entre 2018 e 2023, os quatro fatores de risco explicam cerca de 60% do excesso de homicídios, o que representa aproximadamente 5.500 mortes adicionais relacionadas a essas atividades ilegais
Interiorização e complexidade do crime
 
Os dados também apontam para um processo de interiorização da violência. Municípios que no início dos anos 2000 registravam níveis praticamente nulos de homicídios passaram a apresentar índices elevados nas décadas seguintes.
 
Além do crescimento numérico, o perfil da violência mudou. Disputas locais por recursos naturais deram lugar a conflitos conectados a redes do crime organizado, envolvendo rotas do tráfico e controle territorial.
 
De acordo com o relatório, enfrentar o problema exige estratégias mais amplas e coordenadas. Medidas tradicionais, como fiscalização ambiental e regularização fundiária, tendem a ser insuficientes diante da consolidação do crime organizado. O estudo defende uma resposta que combine governança territorial, políticas ambientais, segurança pública e controle de fronteiras para lidar com a complexidade atual da criminalidade na Amazônia.
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