No dia quatro de novembro de 2003, no Rio de Janeiro, o Brasil perdeu um dos maiores nomes da literatura nacional, a escritora cearense, tradutora, jornalista, cronista e romancista, Raquel de Queirós, que se destacou na ficção social nordestina, com obras como "O Quinze", "As Três Marias" e "Memorial de Maria Moura", "Dora Doralina", "A Beata Maria do Egito", "Caminho de pedras" e tantos outros.
Preocupada desde cedo com as questões sociais do Brasil, tinha vinte anos quando publicou o primeiro romance: O Quinze. Quando escreveu sua primeira obra, entre 1929 e 1930, Raquel já era jornalista profissional. Foi então também que teve o único emprego público da sua vida: foi nomeada interinamente professora da Escola Normal - professora de história ganhando quatrocentos mil réis por mês, o que era um ordenando razoável nessa época.
Ao completar um ano de sua morte - a escritora faleceu no dia 4 de novembro de 2003, a editora Arx homenageou a autora, com a reedição de dois de seus livros. Em "Tantos anos", ela conta suas memórias como uma conversa despojada — porém ricas em detalhes.
A consagrada escritora e sua irmã mais nova, Maria Luiza de Queiroz, criaram um livro autobiográfico diferente. Fatos históricos se misturam com a vida de Rachel, que revela sua face ousada, imparcial e corajosa. Nesse livro há fotos da autora em várias épocas de sua vida e também dos amigos famosos e familiares.
O segundo livro intitulado "Não me deixes", mistura receitas e memórias. As características da criativa culinária do sertão nordestino são o pano de fundo que a imortal utilizou para apresentar as melhores receitas preparadas em sua fazenda no interior cearense. Com escrita singela e tocante, Rachel de Queiroz cativa mediante sua literatura singela e tocante.
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza (CE), em 17 de novembro de 1910. Foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Quinta ocupante da Cadeira 5, eleita em 4 de agosto de 1977, na sucessão de Candido Motta Filho e recebida pelo Acadêmico Adonias Filho em 4 de novembro de 1977.
Em 1957, recebeu o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra. Em 1993, recebeu dos governos do Brasil e de Portugal o Prêmio Camões, e da União Brasileira de Escritores, o Juca Pato; em 1996, recebeu o Prêmio Moinho Santista; em 2000, obteve o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Em 2003, foi inaugurado em Quixadá (CE) o Centro Cultural Rachel de Queiroz.