Qual a diferença de uma biografia com b minúsculo para uma Biografia com B maiúsculo? Quem escreve e como escreve. Por exemplo, a do cantor cearense Raimundo Fagner, quem me levará sou eu, da jornalista Regina Echeverria, certamente tinha tudo para ser excelente, no entanto, é uma biografia. É o caso também do recém lançado "Roberto Menescal, um arquiteto musical", outra biografia feita com b minúsculo.
Escrita pela prima Cláudia Menescal, a biografia "Roberto Menescal, um arquiteto musical", não passa de um relato bem superficial da vida e da obra deste grande músico ainda em plena atividade. A autora tinha tudo para entregar um livro pelo menos excelente, no entanto, optou apenas por endeusar o primo. Uma pena. Até agora foram publicados três obras sobre Menescal, infelizmente, nenhuma à sua altura de importância para a história da nossa música.
Menescal merecia uma Biografia como a de seu parceiro Ronaldo Bôscoli, "A bossa do Lobo", muito bem pesquisada e escrita pelo excelente biógrafo Denílson Monteiro. Autor também da maravilhosa Biografia de Carlos Imperial, "Dez, nota dez", Denilson escreveu livros biográficos sobre Cartola e Chacrinha, e colaborou com outras biografias. Denilson Monteiro é um Biógrafo com B maiúsculo.
Por falar em Biografias com B maiúsculo. Não poderia deixar de citar Sérgio Cabral, o pai, claro. Autor de algumas das melhores lançadas no país. Tom Jobim, Ary Barroso, Nara Leão, Elizeth Cardoso, Grande Othelo, Carlos Manga, Ataulfo Alves, Pixinguinha, Almirante, são alguns de sua galeria de grandes biografados.
Que tal Rodrigo Faour, que escreveu livros definitivos sobre Cauby Peixoto, Dolores Duran, Claudete Soares e Ângela Maria e Leny Eversong e o mais recente sobre Beth Carvalho. Todas Biografias com B maiúsculo.
Desta turma de excelência, sem dúvidas, entra o jornalista e biógrafo Ruy Castro. São dele obras primas como as Biografias de Nelson Rodrigues (Anjo pornográfico) da Bossa Nova (Chega de saudade, a história e as histórias da Bossa Nova), do Samba Canção (A noite do meu bem, a história e as histórias do Samba Canção), Garrincha, estrela solitária, Carmen Miranda, isso sem contar os inúmeros perfis e artigos sobre atores, músicos e escritores. Certamente, Biografias com B gigante.
O compositor, autor e produtor musical Nelson Motta também publicou ótimas Biografias. Vale tudo, sobre Tim Maia e A primavera do Dragão, contando a juventude do cineasta Glauber Rocha. Podemos incluir Noites tropicais e 100 canções que tocaram o Brasil.
Citi ainda a excelente Stella Caymmi, filha de Nana e neta de Dorival, sobre o qual escreveu nada menos que três ótimos livros. Os Biográficos "O mar e o tempo", "Dorival Caymmi e a Bossa Nova" e "O que é que a baiana tem, um relato da trajetória de Dorival Caymmi na era do rádio". Tudo muito bem pesquisado e contextualizado com os acontecimentos e histórico da época.
Gonçalo Júnior, autor das Biografias impecáveis de Evaldo Braga, Assis Valente, Vadico e Jacob do Bandolim. Vale mencionar Lyra Neto e sua ótima e definitiva Biografia da cantora e compositora Maysa, "Maysa, só numa multidão de amores". Elis Regina, nada será como antes, do jornalista Júlio Maria, também autor de outra biografia de peso. A de Ney Matogrosso. Luiz Gonzaga conta com pelo menos cinco ou mais livros biográficos, sendo duas realmente dignas de nota. Vida de viajante, de Dominique Dreyffus - autora da biografia de Baden Powell e volto a citar Regina Echeverria, é dela a segundo melhor livro sobre o Rei do Baião: Gonzaguinha e Gonzagão, uma história brasileira.