101 anos de Janete Clair - por Humberto Oliveira

101 anos de Janete Clair - por Humberto Oliveira

Foto: Divulgação

Receba todas as notícias gratuitamente no WhatsApp do Rondoniaovivo.com.​

  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
0 pessoas reagiram a isso.
Uma das melhores, talvez a melhor novelista da televisão brasileira, Janete Clair, se estivesse ainda neste plano astral, faria 101 anos. Ela criou personagens inesquecíveis e imortais da teledramaturgia brasileira. 
 
Simone e Cristiano, personagens de Regina Duarte e Francisco Cuoco em "Selva de Pedra"; João, Duda e Jerônimo, vividos respectivamente por Tarcísio Meira, Cláudio Marzo e Cláudio Cavalcanti em "Irmãos Coragem"; Luana e Priscila, papel duplo vivido por Regina Duarte em "Sétimo Sentido"; Herculano Quintanilha e Carlão, papéis interpretados por Francisco Cuoco, respectivamente em "O Astro" e "Pecado Capital", telenovelas clássicas da história da televisão brasileira e algumas das criações da novelista a fazer parte do imaginário nacional. Tudo embalado por uma bela trilha sonora.
 
 
Com Janete, o Brasil se apaixonou por Andréa (Regina Duarte) e Marcelo (Cláudio Marzo) em "Véu de Noiva", seu primeiro grande sucesso na Globo. A novela, aposta da emissora em tramas mais modernas, conquistou o telespectador. E de telespectador Janete entendia bem.
 
Antes de ser a "maga das oito" na TV, Janete Clair já dominava as ondas do rádio e as páginas dos livros. Janete começou nos anos 1940 como radioteatróloga na Rádio Nacional. Foi lá que ganhou o apelido de "Janete Clair" - ela nasceu Jenny Pimentel de Saavedra. Escreveu mais de 60 radionovelas. As mais famosas: 
"Perdão, Meu Filho", "O Vampiro de Copacabana" e "Nossa Filha Gabriela". Ela ditava os capítulos direto para os datilógrafos. Já tinha o ritmo folhetinesco que depois levou pra TV.
 
Também publicou livros, adaptando suas histórias do rádio e da TV. Alguns títulos: "Irmãos Coragem" virou romance em 1971. "Selva de Pedra" também lançado em livro. "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", que escreveu com José Mojica Marins. E antes da fama, escreveu sob pseudônimos como "Judy Denver" para revistas femininas.
 
 
Foi essa bagagem do rádio que lhe deu o domínio do suspense, do gancho de capítulo e do melodrama. Quando chegou à Globo em 1967 para reescrever e salvar "Anastácia, a Mulher sem Destino", ela já sabia exatamente como prender o telespectador. Inventou um terremoto e um furacão na ilha onde a história se passava, matando 90 por cento dos personagens. Assim, reestruturou a trama e a novela ganhou audiência.
 
A novelista foi casada com o dramaturgo, escritor e também autor de novelas Dias Gomes, de estilo bem diverso. Enquanto Janete contava suas tramas, às vezes mirabolantes, dramáticas e acima de tudo românticas, o marido levava à telinha personagens criados a partir de pessoas do cotidiano, histórias com críticas sociais, mas com o pé no chamado realismo fantástico. Estilo que influenciou Aguinaldo Silva.
 
A autora dizia que escrevia com paixão e escreveu suas tramas à máquina e sem o luxo de três, quatro e até cinco assistentes, como hoje é praxe. Nada disso. Janete sempre escreveu sozinha. A exceção foi "Eu Prometo", porque à época já estava debilitada pelo câncer no intestino que a matou em 1983. Este último trabalho foi finalizado pela pupila Glória Perez.
 
 
Além de Glória Perez, o saudoso Gilberto Braga também foi iniciado no ofício por Janete. Ambos sempre reverenciaram a novelista e a citaram inúmeras vezes como a maior influência. Mesmo dividindo a vida com o dramaturgo e novelista Dias Gomes, Janete Clair jamais ficou à sombra do marido e teve uma carreira repleta de sucessos.
 
Para conhecer mais da vida, da carreira e o trabalho da novelista, os leitores contam com dois ótimos livros. "Janete Clair", do crítico Artur Xexéo para a coleção "Perfis do Rio" lançada pela editora Relume Dumará. Ironicamente, Janete tinha uma rixa com o autor, que escreveu críticas rigorosas sobre suas tramas, e foi exatamente ele quem fez questão de escrever este livro, o primeiro sobre a grande novelista. O mundo dá muitas voltas.
 
Mauro Alencar, para quem não conhece, é um estudioso da teledramaturgia brasileira. É dele, em parceria com outro noveleiro Cleodon Coelho, o reverente e obrigatório "Nossa Senhora das Oito: Janete Clair e a evolução da telenovela brasileira". A obra traz informações sobre todas as novelas de Janete, da primeira intitulada "O Acusador" (1964) até a última, "Eu Prometo" (1983/1984), finalizada pela discípula Glória Perez. A novela, mais uma protagonizada por Francisco Cuoco, não está à altura das melhores tramas da autora.
 
 
Ela sabia como ninguém manter o público ligado nos seus folhetins. Quem não lembra do capítulo da revelação de quem matou Salomão Hayala? A cena parou o Brasil. O que dizer de "Pecado Capital"? A novela foi escrita por Janete em tempo recorde para substituir a primeira versão de "Roque Santeiro", censurada e proibida de ir ao ar com mais de vinte capítulos gravados.
 
Quem assistiu nunca esquece a trama, o elenco, a música de abertura composta e cantada por Paulinho da Viola: "Dinheiro na mão é vendaval na vida de um sonhador". Ah, o final surpreendente gravado nas obras do metrô.
 
Fica a certeza de que a partir de Janete Clair, a televisão brasileira mudou. Com sua morte prematura, porém, essa mesma televisão, aos poucos, perdeu fôlego e são poucas as tramas que podem ser mencionadas para figurarem no mesmo rol de novelas de Janete, uma das responsáveis por tornar a telenovela uma paixão do brasileiro.
 
Ao todo escreveu 21 telenovelas, sendo 18 para a Rede Globo. Janete Clair faleceu no dia 16 de novembro 1983, no Rio de Janeiro.
Direito ao esquecimento
Na sua opinião, qual é o melhor balneário de Porto Velho?
Você acredita que as igrejas devem pagar imposto?

* O resultado da enquete não tem caráter científico, é apenas uma pesquisa de opinião pública!

MAIS NOTÍCIAS

Por Editoria

CLASSIFICADOS veja mais

EMPREGOS

PUBLICAÇÕES LEGAIS

DESTAQUES EMPRESARIAIS

EVENTOS

Instale o app do Rondoniaovivo.com Acesse mais rápido o site