O arranha-céu Nakatomi Plaza é o cenário do melhor filme de ação dos anos 1980. Ele mesmo, "Duro de Matar". Realizado em 1988, o longa continua uma excelente diversão para os fãs do gênero.
Bruce Willis, ainda colhendo os louros do sucesso da série "A Gata e o Rato", parecia uma escolha ousada para estrelar a produção de Joel Silver. No entanto, o ator mostrou que nasceu para interpretar o policial John McClane, que sem querer, ao visitar a esposa durante uma festa de Natal na empresa, acaba enfrentando um grupo armado de ladrões que invade o prédio para roubar 600 milhões de dólares em ações ao portador.
Alan Rickman é Hans Gruber, o líder do grupo e o melhor vilão dos cinco longas da série "Duro de Matar". Insuperável e inesquecível em sua performance elegante e ao mesmo tempo violenta. O resto da história todos conhecem.
Com o grande sucesso do primeiro filme, uma continuação era inevitável. Sai John McTiernan do filme original e Renny Harlin assume "Duro de Matar 2". Desta vez a trama se desenvolve num aeroporto, numa noite de Natal, muita neve e terroristas causando muito alvoroço para resgatar um general deportado para ser julgado nos Estados Unidos.
Vivido por Franco Nero, o general Esperanza, de um país fictício chamado Val Verde, repete um personagem similar de outro longa, "Comando para Matar", cujo roteirista Steven E. de Souza também é um dos autores de "Duro de Matar" e escreveu o roteiro de "Duro de Matar 2".
Harlin conseguiu imprimir ótimo ritmo e entregou uma continuação quase tão boa quanto o original. Willis bem à vontade e ainda mais irônico, enfrenta os mercenários do coronel Stuart, interpretado por William Sadler, um vilão linha-dura e implacável, porém sem o charme de Hans Gruber.
Um terceiro filme trazendo de volta John McClane era questão de tempo. Então, cinco anos depois dos acontecimentos da parte 2, realizada em 1990, Bruce Willis retorna em "Duro de Matar: A Vingança", assim como o diretor do primeiro, John McTiernan.
Eles acertaram novamente, ainda escalando Samuel L. Jackson para ser o cidadão comum que acaba envolvido em situações extremas. Desta vez, o vilão ficou a cargo de Jeremy Irons, um ator excelente, mas no meu ponto de vista, inadequado para o papel.
Willis e Jackson são os pontos altos do longa. A ação também, afinal é uma especialidade do diretor. Muita ironia, piadinhas fora de hora, principalmente nos momentos tensos e uma produção caprichada, mas que comete o mesmo equívoco de "Duro de Matar 2", ou seja, não entrega um final, digamos criativo e satisfatório, como apenas o primeiro conseguiu dos cinco "Duro de Matar". Mas gosto muito do 2 e do 3 também. Não canso de rever.
Hollywood passou algum tempo tentando realizar mais um filme da franquia. Então, finalmente em 2007, estreou o mais novo da franquia. "Duro de Matar 4.0" até diverte, no entanto, em comparação com os demais, parece mais uma pálida reciclagem, mas com Bruce Willis mais velho, careca, rabugento e indestrutível.
McClane enfrenta terroristas cibernéticos que provocam um apagão geral e sendo ele, como o vilão define, um ser analógico num mundo digital, o policial faz o que sabe melhor, ou seja, matar bandidos. Willis continua firme no papel e rouba todas as cenas.
Nesta quarta aventura conhecemos a irascível filha de McClane, Lucy, que insiste em ser chamada pelo sobrenome da mãe, Gennaro, e não quer conversa com o pai. Porém, quando se vê em perigo, quem corre para salvar a garota? Aí ela volta a se chamar Lucy McClane.
O vilão de "Duro de Matar 4.0" é Thomas Gabriel, interpretado por Timothy Olyphant. Ele é o mentor por trás do ataque cibernético que causa o "apagão total" nos EUA. Ex-especialista do Departamento de Defesa, Gabriel quer vingança depois que seus alertas sobre a vulnerabilidade do país foram ignorados. Diferente de Hans Gruber, ele é mais hacker que ladrão clássico: frio, metódico e viciado em tecnologia.
Falta o carisma de Rickman, a presença física de Sadler e até a excentricidade de Jeremy Irons. É um antagonista funcional para a trama "analógico vs digital", mas pouco memorável. O vilão vivido por um apagado Timothy Oliphant fica aquém dos outros e novamente, a resolução parece forçada e às pressas, porque o filme precisa terminar.
O tardio e desnecessário "Duro de Matar 5: Um Bom Dia para Morrer", de 2013, levou McClane a Moscou para ajudar o filho Jack, que se revelou agente da CIA. Dirigido por John Moore, (Voo da Fênix e a fracassada refilmagem de A Profecia), o filme trocou o suspense claustrofóbico e as tiradas sarcásticas por explosões genéricas e roteiro raso. Sem a tensão urbana e o carisma dos anteriores, enterrou a franquia nas bilheterias e na crítica. Culpa de uma direção que não entendeu como "Duro de Matar" funciona.
Graças aos excelentes extras do do Blu-ray duplo de "Duro deMatar 5", o material especial da edição definitiva dispinibilizado no dvd, salva a empreitada.
Além de comentários em áudio de John McTiernan e Bruce Willis, cenas deletadas e finais alternativos, o destaque é "Decoding Die Hard", um documentário de quase duas horas sobre toda a franquia. Traz bastidores inéditos, entrevistas com elenco e equipe, e analisa como o primeiro filme redefiniu o gênero de ação. Tem ainda galerias de storyboard, featurettes sobre efeitos práticos e o especial "Modern-Day Hero" focado na construção de John McClane como anti-herói. Material obrigatório para fã.
Houve por algum tempo o boato de que fariam mais um. A ideia era contar uma história desenvolvida em duas épocas mostrando John McClane mais jovem e no presente com Willis no papel, naturalmente, no entanto, não foi para frente.
É uma pena Bruce Willis ter adoecido e, por conta dos problemas de saúde, se aposentado precocemente. Por isso, a chance de assistirmos mais um "Duro de Matar" é improvável. Ainda bem que existe o DVD e o Blu-ray para podermos rever cada um dos longas, pelo menos os três primeiros, quantas vezes quisermos. Eu não canso de rever. Nunca.
"Duro de Matar" é baseado no livro "Nothing Lasts Forever" de Roderick Thorp, de 1979. Esse livro é uma continuação de "The Detective", de 1968, também de Thorp. Em 1968, Sinatra estrelou a adaptação de "The Detective" no cinema, vivendo o detetive de polícia Joe Leland. O filme foi um sucesso e Sinatra tinha no contrato uma cláusula de “sequel rights”. Ou seja, se fizessem qualquer continuação com o personagem, ele teria que ser convidado primeiro.
Quando a 20th Century Fox decidiu adaptar "Nothing Lasts Forever", legalmente precisou oferecer o papel principal a Sinatra, então com 73 anos. O personagem no livro se chama Joe Leland, mas no roteiro virou John McClane.
Sinatra recusou. Além da idade, "Nothing Lasts Forever" mostra um Leland aposentado, sendo arrastado por terroristas num prédio. Muita ação física para alguém de 73 anos. Ele mesmo teria dito que estava velho demais para ficar correndo e pulando de prédio.
Com a recusa, o estúdio ofereceu o papel para vários astros: Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Clint Eastwood, Harrison Ford, Mel Gibson, Richard Gere. Todos recusaram. Diziam que o roteiro tinha ação demais e humor de menos, ou que não queriam fazer “mais um filme de terrorista”.
A Fox já estava quase transformando em sequência de "Comando para Matar" com Schwarzenegger. Só quando Bruce Willis topou por 5 milhões de dólares, um cachê altíssimo na época, é que "Duro de Matar" saiu do jeito que conhecemos.
Curiosidade: no livro, Joe Leland visita a filha no prédio, não a esposa. E ele cai do prédio no final. McTiernan mudou tudo para deixar mais comercial e dar chance de sequências.