Quando a análise vira crime por armação de um linchamento digital

Debater as consequências da ausência de grandes líderes políticos não é desrespeito. É análise. O problema começa quando conversas são retiradas de contexto para alimentar o ódio.

Quando a análise vira crime por armação de um linchamento digital

Foto: Divulgação

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O vídeo e a polêmica
 
Alguns jornalistas estavam conversando na calçada em frente ao hospital. Em determinado momento, um homem começou a filmá-los e a questioná-los. Durante a conversa, alguém menciona “sexta-feira 13”.
 
Pelo que se depreende, o diálogo girava em torno das possíveis consequências da hipótese da morte de Jair Messias Bolsonaro. A gravação, porém, foi recortada e transformada em prova de deboche ou insensibilidade por parte dos profissionais.
Mas antes de qualquer julgamento apressado, é preciso compreender uma diferença fundamental: existe o fato social e o fato histórico.
 
Diferença entre fato social e fato histórico
 
A minha morte, por exemplo, seria apenas um fato social. Mexeria diretamente com o sentimento de perda da minha família e de amigos, geraria o pesar de alguns conhecidos e apenas isso.
 
Minha morte não representaria luto oficial de três dias no Brasil, não mudaria os rumos da política nacional nem influenciaria uma eleição presidencial.
 
Já a morte de um personagem do nível de Jair Messias Bolsonaro ou de Luiz Inácio Lula da Silva seria um fato histórico, e não apenas social.
 
A morte de Lula, por exemplo, deixaria a esquerda brasileira sem uma liderança capaz de garantir uma vitória em 2026? A morte de Jair Messias Bolsonaro provocaria uma comoção nacional na direita e em outros setores capaz de levar Flávio Bolsonaro à Presidência da República já no primeiro turno?
 
Teria um efeito semelhante ao da facada de 2018, que o tirou dos debates e acabou influenciando sua trajetória até o Palácio do Planalto?
 
Essas perguntas não são desrespeitosas. São, simplesmente, perguntas políticas.
 
 
Papel da análise política
 
Analisar ou discutir as consequências da ausência de personagens centrais da política é algo comum no jornalismo e na ciência política.
 
Isso não significa deboche, desrespeito ou mau agouro. Significa apenas reconhecer que existem figuras que, em vida, exercem grande influência sobre os destinos políticos de uma nação.
 
Toda cobertura política séria, em algum momento, precisa lidar com hipóteses, cenários e impactos históricos.
 
 
Quando a distorção vira arma
 
Transformar um trecho de conversa informal em escândalo público, tirando-o de contexto para demonizar repórteres que estavam nos intervalos de uma cobertura, revela um comportamento ao mesmo tempo sórdido e irresponsável.
 
Sórdido, porque utiliza a doença de uma pessoa amada como arma política para distorcer fatos e produzir indignação.
Irresponsável, porque coloca um alvo na testa de jornalistas que passam a ser hostilizados e ameaçados simplesmente por exercerem seu trabalho.
 
“Roberto Gutierrez é jornalista. Na comunicação desde outubro de 1976, passou por todas as mídias e há quase três décadas é editorialista e analista político.”
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