INDEFESAS: Negligência é a principal violência sofrida por crianças

A violência sexual é a mais comum contra crianças de 2 a 5 anos, cometida por conhecidos na casa da vítima

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Foto: Divulgação

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Quase 39 mil casos de violência contra crianças foram notificados por serviços de saúde em 2022, com 88,3% dos casos ocorridos nas residências e a mãe sendo sua principal autora (51,7%). A maior parte das vítimas tem entre 2 e 5 anos (39,4%) e a violência sexual praticada por conhecidos é a mais comum nesta faixa etária.

 

Crianças de 6 a 9 anos, o segundo grupo mais afetado (30,5%), sofrem principalmente com violências física (como castigo físico) e psicológica (como ameaças), praticadas pelo padrasto ou conhecidos, com o uso de objetos cortantes ou contundentes, seja escola ou em lugares públicos. Já crianças de até 1 ano são vítimas, principalmente, de negligência materna e paterna, e se ferem com objetos quentes.

 

Os resultados foram publicados na revista Ciência & Saúde Coletiva, nesta sexta (28), e é fruto de análise de pesquisadores da UFMG. Foram considerados dados de 2022 do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), que engloba registros de serviços de saúde — ou seja, restritos aos casos que efetivamente chegam a eles.

 

Mais da metade dos casos (55%) foram contra meninas. O tipo de violência mais comum foi a negligência (50,7%), seguida por violência física (23%) e psicológica (14,5%). O uso de força física apareceu em um quinto (21,1%) dos casos, e foi seguido por ameaças (7,7%). 

 

A mãe, identificada como a principal autora dos abusos em pouco mais da metade dos casos, é seguida do pai (40%), de conhecidos (8,5%) e de padrastos (6,2%). Em 10,6% dos registros, foi constatado o consumo de álcool como agravante.

 

A pesquisadora Deborah Malta diz que há consequências negativas da violência para o desenvolvimento físico e psicológico das crianças, e afirma que a complexidade da questão se dá justamente pelo fato de os pais serem os principais autores. “Os que deveriam proteger são os perpetradores da violência, o que aumenta a vulnerabilidade da criança.”

 

Ela ressalta que o ciclo de violência tende a se repetir: “Mulheres que enfrentam violência doméstica por parte dos companheiros frequentemente foram vítimas de violência em suas famílias de origem, e estão mais propensas a reproduzir essas práticas com seus filhos.”

 

Quanto à violência sexual contra crianças de 2 a 5 anos, “É inaceitável e precisamos agir, com políticas de proteção às vítimas e punição aos perpetradores. Educação em saúde, enfrentamento das desigualdades sociais e da pobreza, além de busca da equidade de gênero são necessárias”, conclui Malta.

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