Durante séculos, o casamento foi visto menos como uma união romântica e mais como um contrato econômico, com a promessa de estabilidade financeira e maior chance de prosperidade em casal.
Hoje, esse papel mudou. A segurança financeira deixou de ser um objetivo a ser alcançado depois do casamento e se tornou pré-requisito para que ele aconteça, principalmente entre os jovens.
Economistas e demógrafos chamam essa mudança de “modelo de capstone” do matrimônio, em que os indivíduos primeiro constroem carreira e patrimônio para, só então, oficializar a união. Esse novo paradigma substituiu a antiga lógica do “cornerstone”, quando as pessoas se casavam cedo — no início dos 20 anos — e, juntas, buscavam adquirir uma casa, poupar e crescer profissionalmente.
Essa mudança também criou uma divisão clara: enquanto pessoas com diploma universitário mantêm taxas de casamento mais altas, quem tem apenas ensino médio ou menor escolaridade vem casando cada vez menos. Ou seja, o casamento tornou-se um fenômeno cada vez mais restrito às classes mais ricas e instruídas, deixando de ser comum entre a classe média e a população de baixa renda.
A consequência é visível na idade média: hoje, nos Estados Unidos, o primeiro casamento ocorre em média aos 30 anos para homens e 29 para mulheres — acima dos 28 e 26 anos, respectivamente, registrados em 2008.
Pesquisadores afirmam que essa exigência de estabilidade financeira prévia explica por que casar está se tornando menos acessível e mais associado à elite.