A sindicalização voltou a subir no Brasil depois de mais de uma década de queda contínua. Dados divulgados nesta quarta-feira (19) pelo IBGE mostram que o percentual de trabalhadores associados a sindicatos aumentou de 8,4% em 2023 para 8,9% em 2024, uma alta de 0,5 ponto percentual.
É o primeiro avanço registrado desde o início da série histórica da Pnad Contínua, em 2012. Após a Reforma Trabalhista de 2017 que extinguiu a contribuição sindical obrigatória o número de sindicalizados despencou, chegando em 2023 ao menor nível já visto.
Segundo o analista da pesquisa, William Kratochwill, o movimento recente pode sinalizar uma mudança de comportamento: “Talvez as pessoas estejam percebendo novamente a necessidade de se organizar, e isso passa pelos sindicatos”.
Sul e Sudeste puxam alta
O avanço foi liderado pelas regiões Sul e Sudeste, que tiveram as maiores expansões.
• Sul: de 9,3% para 9,8%
• Sudeste: de 7,9% para 9,2%
A região Norte também avançou, mas de forma discreta, de 6,9% para 7%. Já Centro-Oeste e Nordeste tiveram queda.
Setores que mais se sindicalizam
O setor com maior taxa de sindicalização em 2024 foi o de Administração Pública, Educação, Saúde e Assistência Social, com 24,5% dos trabalhadores associados. Agricultura (22,9%) e Indústria Geral (21,3%) aparecem na sequência.
Quem são os sindicalizados
• 62,4% têm 40 anos ou mais
• 14,2% têm ensino superior completo
• O menor índice está entre quem tem ensino médio incompleto (5,7%)
• 18,9% dos empregados do setor público são sindicalizados
• Entre os trabalhadores com carteira assinada, a taxa é de 11,2%
Apesar de tímida, a alta reacende o debate sobre o papel dos sindicatos e pode marcar o início de um novo ciclo de reorganização do movimento trabalhista no país.