O governo de Donald Trump propôs que o Brasil receba estrangeiros detidos nos Estados Unidos, utilizando o sistema de prisões de alta segurança de El Salvador como referência. A medida faz parte de uma contraproposta americana para um plano de cooperação em segurança transnacional, cujos detalhes devem ser anunciados durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Casa Branca, prevista para abril.
Além da transferência de presos, Washington exige que o Brasil apresente um plano estratégico para desarticular facções como o PCC e o Comando Vermelho (CV), além de grupos como o Hezbollah e organizações criminosas chinesas. Os EUA solicitam ainda o compartilhamento de dados biométricos de refugiados no Brasil para conter a imigração em massa e a criminalidade nas fronteiras.
O governo brasileiro rejeitou as demandas americanas, que surgiram em resposta a uma proposta inicial de Lula focada no combate à lavagem de dinheiro em paraísos fiscais americanos e no tráfico de armas. As negociações seguem em curso sob pressão, enquanto o Itamaraty tenta evitar que os EUA classifiquem o PCC e o CV como organizações terroristas, o que poderia abrir brechas para intervenções externas em solo nacional.
Internamente, o presidente Lula coordena reuniões para formular uma alternativa que preserve a soberania brasileira e evite a exploração política do tema pela oposição. Relatórios apontam que as facções mencionadas já possuem presença hegemônica em quase metade dos estados brasileiros e expandiram suas operações para mais de 16 países da América Latina.