O sushi ficou “mais parasitado” do que antes? A manchete chama atenção, mas precisa de contexto. Um grande estudo publicado em Global Change Biology encontrou um aumento de 283 vezes na abundância de vermes do gênero Anisakis em peixes e invertebrados marinhos ao comparar dados padronizados de 1978 a 2015. Ou seja: o número se refere ao aumento desses parasitas em organismos marinhos ao longo das décadas não significa que todo sushi hoje esteja automaticamente contaminado.
O ponto mais importante é este: Anisakis pode infectar humanos quando há consumo de peixe cru ou mal cozido, causando anisakíase. O CDC afirma que quem consome peixe ou lula crus/subcozidos pode estar em risco.
Mas também existe um detalhe que muita postagem viral ignora: protocolos de segurança reduzem bastante esse risco. A FDA informa que peixes destinados ao consumo cru devem passar por controles como congelamento adequado para destruição de parasitas, e reforça que cozinhar continua sendo a opção mais segura.
Referência científica no corpo do texto:
Fiorenza EA et al. It’s a wormy world: Meta-analysis reveals several decades of change in the global abundance of the parasitic nematodes Anisakis spp. and Pseudoterranova spp. in marine fishes and invertebrates. Global Change Biology. 2020. PubMed: 32189441.