Enquanto consumidores investem até R$ 120 em multivitamínicos sintéticos, um alimento tradicional e acessível volta ao debate por sua densidade nutricional: o fígado bovino, encontrado por cerca de R$ 15 o quilo em açougues.
Dados nutricionais mostram que 100 gramas do alimento concentram níveis elevados de micronutrientes essenciais. Entre eles, destacam-se mais de 16 mil UI de vitamina A, cerca de 6,5 mg de ferro heme forma com maior absorção pelo organismo e aproximadamente 83 mcg de vitamina B12, valor que ultrapassa em mais de 1.000% a ingestão diária recomendada. O alimento também fornece ácido fólico, zinco, cobre e selênio em formas consideradas altamente biodisponíveis.
Em contraste, suplementos sintéticos apresentam menor taxa de absorção, estimada entre 10% e 30%, além de oferecerem nutrientes isolados e dependerem de excipientes químicos. Especialistas apontam que, apesar da praticidade, esses produtos nem sempre entregam o mesmo aproveitamento biológico observado em alimentos integrais.
O fígado bovino, por sua vez, pode atingir níveis de absorção entre 70% e 90%, justamente por estar inserido em uma matriz alimentar natural. Ainda assim, o consumo do alimento enfrenta resistência cultural, frequentemente associado a sabor forte ou rejeição alimentar.
Analistas do setor nutricional avaliam que a queda no consumo de vísceras ao longo das décadas está ligada a mudanças de hábito e à ascensão da indústria de ultraprocessados e suplementos. Gerações anteriores incluíam o fígado na dieta semanal com mais frequência, prática hoje menos comum.
Para reintroduzir o alimento na rotina, nutricionistas sugerem preparações como fígado acebolado, mistura com carne moída ou patês caseiros. A recomendação geral é de consumo moderado, cerca de uma vez por semana.
O debate reacende uma questão central na alimentação contemporânea: até que ponto a praticidade dos suplementos substitui de fato a nutrição obtida por alimentos in natura.