Mulheres que tiveram filhos após os 40 anos podem apresentar maior probabilidade de alcançar uma longevidade excepcional, incluindo chegar aos 100 anos, segundo pesquisas sobre a relação entre reprodução e envelhecimento.
Um estudo clássico da Universidade de Boston, publicado na revista Nature, observou que mulheres centenárias eram quatro vezes mais propensas a terem tido filhos na faixa dos 40 anos do que mulheres da mesma geração que morreram mais cedo. Pesquisas posteriores também identificaram associação entre idade mais avançada no último parto e maiores chances de sobrevivência excepcional.
A explicação, porém, exige cautela: os cientistas não afirmam que engravidar depois dos 40 anos faça uma mulher viver mais. A maternidade tardia pode funcionar como um marcador biológico de envelhecimento mais lento e de uma capacidade reprodutiva preservada por mais tempo.
Dados do Long Life Family Study indicaram que mulheres que tiveram o último filho após os 33 anos apresentaram cerca do dobro das chances de alcançar idades excepcionalmente avançadas em comparação com aquelas que encerraram a vida reprodutiva antes dos 29 anos. Outro estudo, publicado em 2024, também encontrou associação entre idade mais elevada no último parto e maior tempo de vida.
Os pesquisadores ressaltam que a relação é estatística e não representa uma recomendação para adiar a gravidez. A gestação após os 40 anos envolve riscos obstétricos específicos e deve ser acompanhada por profissionais de saúde.
A principal conclusão é que a capacidade de engravidar naturalmente em idade mais avançada pode revelar características biológicas associadas a um envelhecimento mais lento — e não que a gravidez tardia, por si só, seja responsável por aumentar a expectativa de vida.