NOVO LIVRO: Hélio Rocha lança 'Os Lengua Maskóy' nesta sexta-feira (01)

Evento será no auditório da UNIR Centro, às 18:30 horas, em Porto Velho

NOVO LIVRO: Hélio Rocha lança 'Os Lengua Maskóy' nesta sexta-feira (01)

Foto: Divulgação/Assessoria

Os “Lengua Maskóy [Enxet] do chaco paraguaio” (Valer), testemunho etnográfico do escocês Wilfred Barbrooke Grubb, traduzido do inglês para o português pelo Prof. Dr. em Teoria e História Literária (Unicamp) Hélio Rodrigues da Rocha, será lançado nesta sexta-feira (01), às 18h30, no auditório da UNIR Centro, em Porto Velho.

 

O livro fala sobre os anteriormente chamados Lengua, atualmente Enxet, eram vagamente conhecidos durante a colônia espanhola no Paraguai. A retirada dos Mbaya Caduveos, no final do século XVIII, da margem direita do rio Paraguai, deslocando-se para a margem esquerda do rio em Mato Grosso do Sul, abriu caminho e espaço para outros povos indígenas do interior do Chaco.

 

A obra narra os primeiros contatos entre missionários anglicanos e os Enxet, na margem direita do rio, que foram fortalecidos após a chegada na área do então jovem missionário escocês W. Barbrooke Grubb (1889), que, desde então, com base em sua profunda imersão, aprendizagem da língua indígena e uma obstinada – e questionável – vontade de cumprir sua missão evangelizadora, passou longas décadas com esse povo, estabelecendo missões anglicanas entre eles, o que foi esteio para a penetração de outros colonizadores.

 

O testemunho etnográfico de Grubb, além de seu viés religioso e civilizacional, oferece uma riqueza de detalhes que retrata vividamente a cultura, a cosmologia, o xamanismo e muitos outros aspectos do povo Enxet. A narração de Grubb capta e catalisa um ponto de virada do mundo precedente, livre e autônomo dos Enxet-Lengua. Estes, desde então, serão gradativamente transformados pela influência da colonização, não sem oferecer resistência à dominação e reconfigurar e ressignificar os processos e as mudanças impostas.

 

Quem foi W. Barbrooke Grubb

 

Wilfred Barbrooke Grubb nasceu em Liberton, em agosto de 1865, perto de Edimburgo, capital da Escócia, e faleceu em maio de 1930 em sua terra.

 

Aos 19 anos de idade se candidatou para trabalhar para a South American Missionary Society (Sociedade Missionária Sul-Americana (SAMS) e foi licenciado como Leitor Leigo na Igreja da Inglaterra.

 

Em março de 1886, a Sociedade o enviou para a missão nas Ilhas Malvinas para servir como catequista leigo. Dali foi enviado ao Paraguai para acompanhar o trabalho iniciado por Adolph Henricksen entre os povos indígenas.

 

Na década de 1890, Grubb construiu várias estações missionárias na região do Chaco, estendendo-se do rio Paraguai para o oeste em direção à fronteira então disputada com a Bolívia.

 

Desde os primeiros anos no Paraguai, manteve conexões cordiais com o governo, que, já em 1892, chamava-o de “pacificador dos índios”. Grubb tirou diversas licenças para promover o trabalho da SAMS na Inglaterra, Escócia, Irlanda, Canadá e Estados Unidos.

 

Em uma dessas viagens, no ano de 1900, proferiu palestras na Conferência Missionária Ecumênica em Nova York. Além de outros textos para conferências, Grubb escreveu três relatos, publicados na Inglaterra e nos Estados Unidos.

 

 

Sobre Hélio Rocha

 

Hélio Rodrigues da Rocha, professor-adjunto do Departamento de Línguas Estrangeiras (Dale) da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) – Campus de Porto Velho, com doutorado em Teoria e História Literária na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pós-doutoramento na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ).

 

Coordenou, entre 2014 e 2018, o Programa de Pós-graduação Mestrado Acadêmico em Estudos Literários (PPGMEL). Hoje atua como vice-coordenador do Grupo de Estudos Devir-Amazônia, onde desenvolve o projeto de pesquisa Tradufagia: processo tradutório de narrativas de viajantes de língua inglesa à América do Sul.

 

É membro do Grupo de Pesquisa Literatura, Educação e Cultura: caminhos da alteridade (lecca); do Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares Afros e Amazônicos (Gepiaa) e da Revista Igarapé, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR).

 

Está credenciado no Programa de Pós-graduação Mestrado e Doutorado em Linguagem e Identidade (PPGLI), Universidade Federal do Acre (UFAC).

 

É o autor do romance Maciary, ou para além do encontro das águas (Baraúnas, 2012), do livro de contos Gaivotas (Penalux, 2015) e Coronel Labre (Scienza, 2016).

 

Obras traduzidas da Língua Inglesa para o Português brasileiro: “O mar e a selva: relato de um inglês na Amazônia” (Paco Editorial, 2014); “O paraíso do diabo: relato de viagem e testemunho das atrocidades do colonialismo na Amazônia” (Scienza, 2016); “As aventuras de um sueco nos confins do Alto Amazonas”, incluindo “Uma temporada entre índios canibais (Scienza, 2017); “A descoberta do grande, belo e rico império da Guiana” (Scienza, 2017); “O noroeste amazônico: notas de alguns meses que passei entre tribos canibais” (NEPAN, 2019); “Viagens pelos rios Amazonas e Madeira: Brasil, Bolívia e Peru [1872-1874]” (Valer, 2020).

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