A série Dark, a primeira série original da Netflix criada, produzida e realizada na Alemanha, saiu das mentes inquietas de Baran bo Odar e Jantje Friese, que se saíram muito bem com o filme “Invasores - Nenhum Sistema Está à Salvo” (2014), e agora tem o feito de ter sido eleita a melhor série original da Netflix por votações populares que se destacaram no Rotten Tomatoes e IMDb que são sites agrega-dores específicos de críticas que medem, por meio dos espectadores, a aceitação e qualificação de filmes (para cinema e TV) e séries.
Dark é uma série complexa, porém densa, que, em suas três temporadas fechadinhas, mistura viagem no tempo e suspense, com um pé no drama ao colocar os personagens centrais em uma simbiose de eventos marcados por escolhas e quebras de paradigmas, misturando passado, presente e até mesmo futuro. O roteiro, meticulosamente amarrado, proporciona uma ficção científica de alto nível.
A produção alemã conseguiu o feito, nessa escolha popular, de superar sucessos como Stranger Things e Black Mirror no Rotten Tomatoes e IMDb. A série venceu votações massivas, com 80% dos votos na final contra Black Mirror.
Para ter uma ideia de como foi a votação, cada etapa disponibilizava dois títulos originais da Netflix para se enfrentarem. Nesse embate, Dark conseguiu superar títulos aclamados pelo público, como The Crown, Peaky Blinders e Stranger Things (que encerrou no final de dezembro). Na grande final, Dark competiu com a série inglesa Black Mirror (que é espetacular), que na semifinal eliminou outras séries com 64% dos votos. No entanto, a final foi um banho da série alemã, tornando-se a melhor série original da Netflix com louvor, ao receber 80% dos votos.
Durante as etapas de votação, foram registradas 2,5 milhões de opiniões. Na final, o Rotten Tomatoes computou mais de 110 mil votos.
Para saber da dimensão do que foi a série, diante do potencial que ela trouxe em originalidade, com sua história complexa, cheia de reviravoltas e tornando-se catártica nas viradas de roteiro, eu escrevi há alguns anos, para um perfil de séries, a minha impressão sobre o que era a segunda temporada de Dark. Impressionado e na expectativa da terceira temporada.
Depois, assisti à terceira temporada em êxtase, mas deixo claro que é uma série que vai manter questi-onamentos (ou não, dependendo da sua compreensão), pois ela encerra de uma forma que fecha o ciclo dos personagens centrais como planejado desde a primeira temporada, mas de maneira inespera-da.
SIGA O TEXTO:
DARK me roubou o tempo na Netflix e é incrível.
Eu poderia estar fazendo a maratona da terceira temporada de “Stranger Things”, a onda do mo-mento na Netflix, mas resolvi dar continuidade à minha maratona da série alemã “Dark”. Já estou entrando na segunda temporada, depois de ter acabado a primeira nesse final de semana e a cabeça ter dado um nó.
Série boa, para mim, é assim: faz pensar, refletir e manter as sinapses ativas além do normal. “Dark” é uma série que mostra linhas temporais diferentes e significativas para a trama, que é enigmática e sombria (até demais). A constante trilha sonora tensa, a imersão no ambiente soturno da pequena cidade, onde fica uma usina nuclear, com uma floresta sinistra onde há uma caverna que serve como um portal.
Não posso contar muito, mas, desde o início, você que gosta de um bom mistério vai ter paciência para seguir o ritmo da série, que é lenta, gradual e misteriosa. Os cinco primeiros episódios servem para situar os personagens, para você conhecer a história e a personalidade de cada um e se envol-ver.
Depois disso, começam a surgir revelações cruciais que dão uma reviravolta na trama, e você vai ficando de queixo caído e intrigado. As perguntas que mais insistiam em permanecer na minha ca-beça eram: “quando?”, “como?”, “que porra é essa?”; e eu finalizava com “tu é doido!”.
Depois, a partir do sexto episódio, é uma pancada atrás da outra, em que se propõem linha do tempo, física quântica, “buraco de minhoca” que, para quem não sabe, na física é a hipótese do contínuo espaço tempo, a qual é, em essência, um “atalho” através do espaço e do tempo. Isso caracte-riza que um “buraco de minhoca” possui ao menos duas “bocas” conectadas a uma única “gar-ganta” ou “tubo”, o que fica bem especificado com a caverna misteriosa, que é a força motriz de toda a mudança na vida dos personagens.
É complexo, e a série te joga para um lado e para o outro, mesclando passado, presente e... Bom, tem que assistir para compreender essa primeira temporada, e aconselho a não piscar os olhos. Mui-to bem escrita, com roteiro incrível, a arquitetura de construção de personagens, motivações e a imersão estão entre as coisas mais impressionantes que já vi em uma série de TV.
O primeiro episódio da segunda temporada inicia com uma porrada bem segura nos nossos senti-dos, e você percebe que a primeira foi só um aperitivo.
“Dark” entrou no streaming da Netflix em dezembro de 2017, e já tive primeiras tentativas de assis-tir, mas só agora encontrei o tempo necessário para poder curtir como merece, sem ler nada antes ou ter conhecimento de sua premissa.
E tem gente discutindo o multiverso e quebras temporais na viagem dos Vingadores no filme “Ulti-mato”, maninho...
Esquece aquilo. Isso, sim, é complexo e tem furos monumentais que você percebe que são proposi-tais, porque a trama exige mais empenho de nossa atenção para algo bem maior e mais complexo do que ocorre naquela pequena cidade alemã.
Tenha certeza: todo programa (filme ou série) que inicia com um suicídio tem algo muito grande a esconder e depois mostrar. “Dark” é espetacular.
Recomendo com louvor para quem gosta de gastar neurônios e ficar tenso.