A Amazônia Legal concentra cerca de 13% da população brasileira, mas responde por apenas 9% dos empregos formais do país. O dado revela um mercado de trabalho mais restrito e com forte dependência do setor público para gerar oportunidades de maior qualificação.
A constatação faz parte do estudo “As portas de entrada do emprego formal na Amazônia”, do projeto Amazônia 2030. A análise aponta que o setor público é a principal porta de entrada para trabalhadores com ensino superior na região.
Entre profissionais com esse nível de formação, 67,4% estão empregados no setor público na Amazônia Legal, enquanto no restante do Brasil essa proporção é de 42,4%.
O levantamento foi realizado pelos economistas Gustavo Gonzaga e Vinícius de Sá, do Departamento de Economia da PUC-Rio, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) de 2018.
Os dados mostram ainda que apenas 18,7% da população da Amazônia Legal possuía emprego formal naquele ano, percentual inferior aos 28,4% registrados no restante do país. Segundo os pesquisadores, a diferença está associada principalmente à menor presença do setor privado formal na região.
Governos estaduais concentram trabalhadores
O estudo também destaca o papel dos governos estaduais na absorção de profissionais qualificados. Entre os trabalhadores com ensino superior no setor público da Amazônia Legal, 42,5% estão vinculados aos governos estaduais, frente a 33,1% no restante do Brasil.
Além disso, há maior concentração desses profissionais em funções administrativas. Na Amazônia, 29,2% dos servidores estaduais com ensino superior atuam nessa área, proporção quase três vezes maior que no restante do país, onde o percentual é de 10,2%.
Diferença salarial
A diferença salarial também ajuda a explicar a atratividade do setor público. Na Amazônia Legal, o salário mediano de trabalhadores com ensino superior no setor público é de R$ 4.808, enquanto no setor privado formal chega a R$ 2.994, uma diferença de 60,6%.
Mesmo após considerar fatores como experiência, escolaridade, gênero e setor de atividade, o setor público paga, em média, 46% a mais que o setor privado na Amazônia Legal, frente a 28,6% no restante do país.
Para os autores, os resultados indicam que as ocupações formais mais qualificadas e melhor remuneradas na região estão fortemente concentradas no setor público, o que evidencia limitações na capacidade do setor privado formal de absorver trabalhadores qualificados na Amazônia.