Neste domingo (15), as atenções de quem curte cinema estarão voltadas para a maior festa de premiação da 7ª Arte: a cerimônia de entrega do Oscar, que será exibida na Rede Globo após o Fantástico e também estará disponível no serviço de streaming da HBO Max.
Este ano, como no ano passado, o Brasil está concorrendo. Se em 2025 tínhamos o filme brasileiro “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que se destacou ao ganhar o Oscar de melhor filme internacional, este ano temos “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça, com quatro indicações ao grande prêmio, incluindo a de melhor ator para Wagner Moura — com uma chance razoável.
Publicações especializadas dos Estados Unidos, como a Variety, apontam que o filme brasileiro tem grandes chances de levar o prêmio de melhor filme internacional, mas indicam o ator Michael B. Jordan, do filme “Pecadores”, como provável vencedor na categoria de melhor ator, superando por votos apertados o ator brasileiro. Será?
Só assistindo mesmo a essa grande festa do cinema mundial neste domingo.
Eu fiz uma análise de três filmes que estão indicados e que podem ser premiados no Oscar. “Uma batalha após a outra”, do diretor Paul Thomas Anderson, com certeza o maior favorito de todos, deve fazer um arrastão na premiação — apostaria que deve levar Oscars de melhor filme, direção, roteiro adaptado, ator coadjuvante (para o grande Sean Penn) e edição; “Pecadores”, de Ryan Coogler (o diretor de Pantera Negra, da Marvel), onde aposto minhas fichas em Oscar de melhor ator — mesmo tendo Wagner Moura no páreo —, roteiro original, trilha sonora, figurino e direção de arte; e o outro filme é o nosso representante, “O Agente Secreto”, que acredito ser forte candidato a levar na categoria de melhor filme internacional.
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UMA BATALHA APÓS A OUTRA - O filme do diretor Paul Thomas Anderson (que realizou os ótimos “Boogie Nights”, “Magnólia”, “Sangue Negro”, “Licorice Pizza”) é baseado no livro “Vineland”, de Thomas Pynchon, e ele criou uma versão mais surtada e movimentada, com mudanças importantes não só na trama central, como também em um personagem específico: o antagonista e, podemos dizer, vilão da trama, o autoritário e racista Brock Vond, que agora é o Coronel Lockjaw, em uma interpretação sublime do ator Sean Penn.
O diretor e roteirista ainda é um dos poucos cineastas que têm poder e controle absolutos sobre o que querem mostrar e como querem contar a história, realizando um filme que tem tantas camadas e propostas que, além do entretenimento puro e simples, faz o espectador pensar e raciocinar no meio do filme, enquanto a trama vai ocorrendo diante dos nossos olhos. E isso é fascinante.
“Uma Batalha após a Outra” é um filme que consegue misturar ação, drama e suspense, com uma pitada de humor que permeia algumas sequências de alto impacto.
O filme é um forte concorrente a levar um número considerável de estatuetas do Oscar. Para se ter uma noção, “Uma batalha após a outra” já recebeu 33 prêmios considerados importantes só este ano. Entre eles, premiações consideradas como termômetro para o Oscar, como os sindicatos de diretores e atores, o Globo de Ouro e o Bafta (o Oscar britânico).
O filme está disponível no catálogo do serviço de streaming da HBO Max.
PECADORES - O filme do diretor Ryan Coogler (diretor de sucessos como “Creed” e os dois filmes do Pantera Negra, da Marvel), “Pecadores” (Sinners/2025), usa o blues como base para contar uma história sobrenatural e violenta nos anos 30, período da Lei Seca, e cria um plot muito bem desenvolvido na figura de dois irmãos gêmeos que retornam à sua cidade natal, Clarksville, no estado da Louisiana, em 1932.
Os irmãos gêmeos Smoke e Stack (que na tradução e dublagem viraram Fumaça e Fuligem), vividos pelo ator Michael B. Jordan (excelente no papel duplo e que já valeu premiação do sindicato dos atores e indicação ao Oscar como forte candidato), voltam para Clarksville com um propósito ambicioso e determinado: abrir um novo negócio com uma casa de blues.
O diretor Coogler tem a habilidade de fazer um musical em alguns momentos e, depois, de maneira orgânica, transformar tudo em um inferno na Terra, muito além da escuridão. Até o final do filme, outras situações vão ocorrer e serão resolvidas com um achado narrativo impressionante, que condiz perfeitamente com o fechamento proposto pelo diretor para um filme de terror.
“Pecadores” proporciona reflexão catártica ao tocar em pontos recorrentes que envolvem racismo — como a relação íntima da personagem Mary, a linda atriz Hailee Steinfeld, com um dos irmãos gêmeos, ela branca e ele negro, o que incomoda alguns cidadãos — ou ainda as apresentações musicais quando o bar é finalmente aberto, sendo uma de Sammie espetacular, com uma ousadia de cena do diretor Ryan Coogler ao permitir interações surrealistas e fantasiosas, unindo a raiz do blues em seu passado com o futuro e o presente (o reggae, o jazz e o rap).
“Pecadores” fez um sucesso incrível, arrecadou US$ 364,6 milhões (cerca de R$ 1,9 bilhão) nos cinemas e está disponível no catálogo da HBO Max.
O AGENTE SECRETO - O cinema do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho é diferenciado, muito bem-feito na amálgama da realidade histórica com o imaginário e, principalmente, nas relações interpessoais dentro do universo popular. Em “O Agente Secreto”, após ter realizado o ótimo “Bacurau”, ele faz um filme único e escrito para o ator Wagner Moura. Não à toa, o filme vem tendo enorme visibilidade e repercussão internacional, além de um arrastão de prêmios.
Para se ter uma ideia, contando com os prêmios do ano passado e deste ano, o filme brasileiro já tem 12 prêmios internacionais importantes — ganhou praticamente todos os prêmios de crítica nos Estados Unidos este ano — e, no Globo de Ouro, foi premiado como melhor filme internacional e melhor ator para Wagner Moura, catapultando sua indicação na categoria de ator.
“O Agente Secreto” é um thriller político brasileiro que se passa no ano de 1977, quando Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário em fuga de São Paulo, encontra refúgio, de forma clandestina, em Recife e descobre que, mesmo pensando ter se escondido, sua figura está sob vigilância e envolvida em uma trama perigosa que explora a paranoia da então ditadura militar, apontando para a memória e a resistência.
Na tentativa de escapar desse infame passado, o professor vai se deparar com uma Recife envolta em lendas urbanas, assim como personagens inesperados e humanos que vão lhe dar acolhida — a mais notável é a da atriz veterana Tânia Maria como “Dona Sebastiana”, uma artesã de 78 anos muito esperta —, enquanto busca documentos que permitam fugir do país e se exilar. Um dos mais belos e grandes filmes de 2025 e com forte possibilidade de trazer outro Oscar de melhor filme internacional.
O filme está disponível no catálogo da Netflix.