Uma advogada apresentou ao Ministério Público Eleitoral uma notícia de fato pedindo a apuração de possível violência política contra a mulher e de eventuais irregularidades administrativas no caso envolvendo a vereadora de Vilhena Amanda Areval (Republicanos) e o presidente da Câmara Municipal, Celso Machado (PL). A iniciativa, porém, partiu exclusivamente da advogada Aline Leon, que assina o documento na condição de cidadã, e não foi solicitada pela parlamentar ou por sua assessoria.
Procurada para esclarecer a situação, a assessoria de Amanda informou que a vereadora e o gabinete não pediram a apresentação da notícia de fato. O esclarecimento não representa uma crítica à atuação da advogada, mas busca deixar clara a origem da iniciativa e evitar que a medida seja atribuída à parlamentar.
O documento, datado de 5 de novembro de 2026, foi dirigido à Procuradoria Regional Eleitoral de Rondônia e também solicita o encaminhamento de cópias ao Ministério Público do Estado para análise de possíveis questões administrativas, cíveis e criminais.
Na representação, Aline Leon pede que sejam investigadas as circunstâncias das mudanças na equipe do gabinete de Amanda Areval. A advogada relaciona os fatos à eleição da Mesa Diretora da Câmara para o biênio 2027/2028, na qual a vereadora votou em uma chapa diferente daquela apoiada pelo presidente da Casa.
Entenda o caso
A situação ganhou repercussão após Amanda denunciar, em pronunciamento na tribuna da Câmara, a exoneração e a interrupção antecipada de cessões de servidores que atuavam em seu gabinete. A parlamentar afirmou que as medidas ocorreram depois de seu posicionamento na eleição interna e questionou o tratamento recebido.
Em reportagem publicada em 5 de novembro, a Folha do Sul Online, com repercussão no Rondônia ao Vivo, informou que a Presidência da Câmara anunciou mudanças envolvendo servidores escolhidos pela vereadora. Na ocasião, Celso Machado afirmou que as decisões estavam relacionadas à reorganização administrativa e à contenção de despesas, negando motivação política.
A representação assinada por Aline Leon sustenta que os fatos precisam ser examinados pelos órgãos competentes, inclusive sob a perspectiva da violência política de gênero. Entre os pedidos estão a análise dos atos administrativos, a requisição de documentos à Câmara e a oitiva da vereadora, dos servidores envolvidos e do presidente do Legislativo.
O documento apresenta argumentos e solicitações de investigação. Portanto, as situações descritas ainda dependem de apuração e não representam, por si só, comprovação de irregularidades ou de prática de violência política contra a mulher.
A assessoria de Amanda reforça que a apresentação da notícia de fato foi uma decisão independente da advogada, sem participação ou solicitação da vereadora e de seu gabinete.