A pesquisadora e neurocientista Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), negou ter firmado qualquer parceria com o deputado federal e candidato ao Senado pelo PL de Rondônia, Fernando Máximo, para implantação de tratamento experimental destinado a pessoas com lesão medular no estado. A cientista também afirmou que não concedeu autorização para o uso de sua imagem em divulgação de caráter político-eleitoral.
A controvérsia surgiu após Fernando Máximo divulgar em suas redes sociais e em agendas públicas que estaria articulando uma parceria com a pesquisadora para trazer a Rondônia protocolos e estudos envolvendo a polilaminina, molécula experimental desenvolvida pela cientista e que vem sendo estudada para recuperação de lesões na medula espinhal.
Em entrevista concedida ao jornalista Fábio Camilo, do site Informa na Hora, Dra. Tatiana desmentiu a existência de qualquer acordo formal com o parlamentar. Segundo ela, houve apenas uma conversa sobre a pesquisa, sem que fosse estabelecida parceria institucional ou autorização para utilização de sua imagem em ações políticas. “Eu não dei a ele uma autorização formal para isso”, declarou a pesquisadora durante a entrevista.
Tatiana também rebateu afirmações que, segundo ela, poderiam criar falsas expectativas em pacientes paraplégicos e tetraplégicos. Questionada sobre declarações atribuídas ao deputado Fernando Máximo de que ela viria a Rondônia para “curar os paraplégicos”, a cientista afirmou que jamais anunciou a descoberta de uma cura.
“Em nenhum momento eu falei que tinha encontrado cura, em nenhum momento eu falei que tinha demonstração científica”, afirmou. A pesquisadora explicou que os resultados obtidos até o momento são preliminares e fazem parte de estudos em andamento. Segundo ela, pacientes submetidos ao protocolo experimental apresentaram melhora acima do esperado, mas o tratamento ainda depende de validação científica.
O que é a Polilaminina
A polilaminina é uma molécula desenvolvida no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ após quase três décadas de pesquisa. Derivada da laminina, proteína naturalmente presente no organismo, a substância funciona como uma espécie de estrutura biológica capaz de estimular a reconexão de neurônios lesionados na medula espinhal.
A pesquisa recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar etapas clínicas voltadas à avaliação de segurança e eficácia do tratamento. Apesar dos resultados considerados promissores, especialistas destacam que o estudo ainda está em fase experimental e não representa uma cura comprovada para paraplegia ou tetraplegia.
Durante a entrevista, o jornalista Fábio Camilo criticou o uso político da pesquisa e afirmou que continuará denunciando eventuais tentativas de exploração eleitoral de avanços científicos. Em resposta, Dra. Tatiana reiterou que não autorizou formalmente a associação de sua imagem ou de seu trabalho a projetos políticos.