Um estudo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) revelou que Rondônia foi o estado com maior tempo de exposição à poluição do ar provocada por queimadas na Amazônia em 2024, somando cerca de 100 dias com ar contaminado por fumaça.
Segundo a pesquisa, o ano foi marcado por seca extrema e incêndios recordes, que mantiveram áreas do bioma sob poluição por até 138 dias. O material particulado fino liberado pela fumaça — conhecido como PM2.5 — está associado a doenças cardiovasculares, câncer de pulmão e milhões de mortes anuais no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.
Apesar do cenário crítico em 2024, os dados mostram melhora significativa em 2025. Em Rondônia, o número de dias consecutivos com ar de baixa qualidade caiu de 89 para 11, reflexo da redução das queimadas e da retomada das chuvas.
De forma geral, a área queimada na Amazônia passou de mais de 17 milhões de hectares em 2024 para 3,8 milhões em 2025, queda de 78%, conforme dados do Monitor do Fogo da MapBiomas.
Ainda assim, os pesquisadores alertam que episódios de poluição persistem na região. Mesmo com a melhora, estados do sudoeste amazônico, incluindo Rondônia, registraram mais de 20 dias de exposição à fumaça tóxica em 2025.
A análise faz parte da nota técnica “Amazônia em Chamas: a qualidade do ar em 2024 e 2025”, elaborada por pesquisadores do IPAM em parceria com a Columbia Climate School, o Woodwell Climate Research Center e o Instituto Ar.
O estudo conclui que a poluição na Amazônia está diretamente ligada às queimadas provocadas por ação humana e agravadas por eventos climáticos extremos, reforçando a necessidade de políticas permanentes de prevenção, monitoramento da qualidade do ar e preparação dos sistemas de saúde para lidar com os impactos da fumaça na população.
O que Rondônia fez para reverter
Após enfrentar um cenário crítico de queimadas e poluição do ar em 2024, Rondônia adotou uma estratégia mais rígida de combate e prevenção. A Operação Verde Rondônia reforçou a fiscalização ambiental, ampliou multas e intensificou ações contra queimadas urbanas e rurais, com atuação do Corpo de Bombeiros Militar de Rondônia e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental de Rondônia (Sedam). O monitoramento passou a utilizar satélites, drones e bases avançadas em áreas críticas para resposta rápida aos focos de incêndio.
O Ministério Público do Estado de Rondônia também atuou no acompanhamento das políticas ambientais e na responsabilização de infratores. As medidas resultaram em queda superior a 90% nos focos de queimadas em 2025 e melhora significativa da qualidade do ar.