A nova - nova? Produção da franquia Pânico - que comemora 30 anos em 2026, estreou ontem e aproveitei para assistir hoje ao filme número 7, com direção do roteirista original Kevin Williamson com roteiro coescrito por ele e Guy Busick , a partir de uma história de James Vanderbilt e Busick.
Depois das sequências 5 e 6, sendo que deste último Neve Campbell não participou por questões salariais, agora retorna a convite da produção e naturalmente recebendo um cachê bem maior. Courtney Cox também retorna, porém faz bem pouco.
Para ser sincero, Gale virou uma personagem mais que secundária na trama, pois os roteiristas concentraram o enredo na implacável Sidney Prescot, sempre desconfiada e paranoica, principalmente com uma filha adolescente - aborrecente, para proteger.
Williamson faz questão de deixar claro que os acontecimentos de Nova York, no filme 6, não têm relevância, afinal sem a presença de Sidney, o Ghostface teve de se contentar em perseguir e matar um grupo de coadjuvantes contratados para o único intuito, ou seja, morrer.
Neste sétimo longa os roteiristas fazem referências aos primeiros filmes, aqueles dirigidos pelo saudoso Wes Craven, um cineasta que sabia muito bem fazer seu trabalho. Tanto que ele fez do primeiro Pânico um clássico do gênero ao mesmo tempo subvertendo alguns ditames do gênero.
Nas continuações, Craven passou a imitar e parodiar a si mesmo. O resto é história e uma longa lista de malucos psicóticos sempre com algum motivo para mandar Sidney e seus amigos desta para mulher. Mas Sidney é uma "garota final", aquela que sempre sobrevive quase sem arranhões e poucos traumas. Claro, com exceção do volume 6. Mas aí é outra história.
A tradicional cena de abertura marca passo e demora muito para acontecer. Aí percebi, se fosse neste ritmo o filme não iria empolgar. Dito e feito. Após as mortes iniciais a trama se arrasta mostrando o relacionamento complicado entre Sidney e a filha Tatum.
Então, começamos a especular quem seria o assassino. Um deles dá para saber logo de cara. O segundo certamente foi tirado da manga, como quase todo o enredo. Ah, mas têm a violência. Afinal é um filme da franquia Pânico e ela não existiria sem a brutalidade cada vez mais pesada de Ghostface. No entanto, não é o suficiente.
Neve Campbell muito à vontade entrega uma Sidney um pouco fragilizada por anos e anos de medo. Cox aparece de repente com dois outros personagens dos filmes 5 e 6, irmãos que parecem indestrutíveis e atropelam um dos assassinos.
Tudo muito aleatório e anticlimatico. Sabemos que aquele não é o único psicopata à solta. Não empolga e nem assusta. Como os longas anteriores o diretor vai soltando pistas falsas sobre quem são ou podem ser os assassinos. O elenco de figurantes inexpressivos foram escalados para um único fim: morrer.
Os problemas familiares de Sidney e família nada acrescentam e até quebram um pouco o ritmo. Por fim, já correm rumores de um possível número 8. É possível. Quanto ao desfecho, meus amigos fãs de Pânico, muito apressado e ainda trouxeram personagens antigos e mortos.
Os atores que interpretaram Ghostface anteriormente, Matthew Lillard, o Stu Macher do primeiro filme, Laurie Metcalf que fez Nancy Loomis no 2 e Scott Foley, o meio irmão de Sidney, Roman Bridger, do longa 3, foram trazidos para aparecer como deepfakes usados pelos assassinos , bem como a vítima de Ghostface, David Arquette (Dewey Riley, figura emblemática até o filme 6 quando foi brutalmente assassinado.
Confusões nos bastidores
Após a saída dos diretores de Pânico (2022) e Pânico 6, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, em agosto de 2023, Christopher Landon foi contratado para dirigir o sétimo filme da franquia. No entanto, o projeto passou por uma reformulação criativa após a saída das estrelas Melissa Barrera e Jenna Ortega no final de 2023, com Landon também deixando o projeto.
Em março de 2024, Campbell confirmou seu retorno à franquia após sua ausência em Pânico 6, e Williamson foi contratado para dirigir Pânico 7, depois de ter atuado como roteirista e produtor dos primeiros filmes da série. As filmagens começaram em janeiro de 2025 e terminaram em março do mesmo ano. O roteiro foi reescrito e algumas cenas tiveram de ser refeitas. Como diz o ditado: panela que muito se mexe acaba queimando.