Brasil apreende 476 toneladas de drogas em 10 anos em portos e aeroportos e salto representa um aumento de 1.471,1% no período
Foto: Divulgação/Operação Receita Federal
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O Brasil apreendeu 476 toneladas de cocaína e maconha ao longo da última década, segundo dados da Receita Federal e de órgãos de controle divulgados nesta semana. O número impressiona, mas não interrompe o fluxo global do tráfico. Apesar das apreensões recordes em portos e aeroportos, o país segue como principal ponto de trânsito de cocaína da América do Sul, abastecendo mercados da Europa, África e outros continentes. Rondônia aparece nos mapas de rotas nacional e internacional do tráfico de drogas tanto como área de entrada como de sustentação logística ao crime organizado.
De acordo com o que foi divulgado, só em 2024, foram apreendidos 69,6 mil quilos de entorpecentes, acima de 2023 (35,7 mil kg) e próximo dos maiores volumes já registrados. Em 2015, há dez anos, o total havia sido de apenas 5,1 mil kg. O salto representa um aumento de 1.471,1% no período, evidenciando tanto o fortalecimento das ações de fiscalização quanto a expansão das rotas criminosas.
As apreensões de maconha somaram 54,5 toneladas em 2024, com forte concentração no Sul do país. Paraná (47,5 toneladas) e Santa Catarina (4,6 toneladas) responderam por 95,6% de tudo o que foi recolhido no Brasil naquele ano. Já no caso da cocaína, os maiores volumes continuam sendo interceptados em grandes corredores logísticos, com destaque para os portos de Santos, Rio de Janeiro, Salvador e Paranaguá.

Por trás desses números, está uma logística cada vez mais sofisticada. O crime organizado tem apostado com força nas rotas fluviais, consideradas mais desguarnecidas e difíceis de fiscalizar, especialmente na Amazônia Legal. Rios extensos, mata fechada e baixa presença do Estado criam o cenário ideal para o transporte de grandes carregamentos sem levantar suspeitas.
Nesse contexto, Rondônia ocupa posição estratégica para os criminosos. O estado faz fronteira com a Bolívia em uma extensão de aproximadamente 1.342 quilômetros, em grande parte fluvial e coberta por floresta, o que dificulta o controle e combate. Essa característica transforma a região em uma das rotas mais utilizadas pelo narcotráfico, com destaque para a área de Guajará-Mirim e Vale do Guaporé, historicamente sensíveis no combate a crimes transnacionais como tráfico de drogas e contrabando.
A Bolívia, assim como a Colômbia e o Peru, está entre os principais produtores mundiais de cocaína. Em 2023, os bolivianos registraram um aumento de 62% nas apreensões, enquanto a Colômbia confiscou 739,5 toneladas, muitas delas em águas internacionais. Grande parte dessa droga cruza o território brasileiro antes de seguir para outros continentes.

O valor envolvido ajuda a explicar a persistência do esquema. O quilo da cocaína é estimado em cerca de R$ 62 mil, enquanto o da maconha gira em torno de R$ 4 mil. Somadas, as apreensões representam bilhões de reais que deixam de irrigar facções criminosas como PCC e Comando Vermelho, mas também revelam a dimensão do mercado.
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