A principal preocupação do governo brasileiro é o risco de ampliação da ingerência estrangeira sobre temas internos de segurança pública
Foto: Operação/PF
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A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas reacendeu o debate sobre os impactos da medida no Brasil e os limites da atuação internacional no combate ao crime organizado.

A classificação foi anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano com base em duas legislações dos EUA voltadas ao combate ao terrorismo internacional. Na prática, a medida permite aos norte-americanos ampliar sanções financeiras, bloquear bens, restringir operações e punir pessoas ou empresas que mantenham vínculos com os grupos classificados.
Especialistas consultados pelo Rondoniaovivo avaliam que a decisão pode gerar pressão diplomática sobre o Brasil, além de aumentar o rigor em investigações, cooperação internacional, concessão de vistos e operações financeiras envolvendo brasileiros e empresas nacionais com atuação nos Estados Unidos.
Ingerência estrangeira
A principal preocupação do governo brasileiro é o risco de ampliação da ingerência estrangeira sobre temas internos de segurança pública. Analistas alertam que o enquadramento pode abrir espaço para medidas mais duras por parte dos EUA, incluindo sanções e mecanismos de intervenção internacional.
Diferença entre terrorismo e facções
Apesar disso, especialistas em segurança pública e direito penal afirmam que PCC e CV não se enquadram juridicamente como organizações terroristas no contexto brasileiro. Segundo os pesquisadores, o terrorismo possui motivação política, ideológica ou religiosa, enquanto as facções brasileiras atuam prioritariamente para controlar mercados ilegais, movimentar dinheiro e ampliar poder econômico.

O governo brasileiro tem adotado outra estratégia de enfrentamento ao crime organizado, baseada no endurecimento penal, inteligência financeira e combate às estruturas econômicas das facções.
Dever de casa
Entre as medidas recentes está a Lei Antifacção (Lei nº 15.358/2026), que amplia penas para integrantes de organizações criminosas ultraviolentas, restringe benefícios penais e cria o Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas.
Outra iniciativa é o programa Brasil Contra o Crime Organizado (Decreto nº 12.966/2026), que prevê investimentos em integração de inteligência, rastreamento de recursos ilegais, combate ao tráfico de armas e fortalecimento das investigações de homicídios.
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A Polícia Federal também intensificou ações de fronteira e operações internacionais para erradicação de plantações de drogas em países vizinhos antes da entrada dos entorpecentes no Brasil.
Pesquisadores apontam ainda que o conceito de “narcoterrorismo” surgiu em agendas internacionais de segurança e combate às drogas, principalmente nos Estados Unidos.
Para os especialistas, importar essa classificação para o Brasil pode aumentar a letalidade policial, ampliar o encarceramento em massa e endurecer políticas de segurança sem atacar as conexões financeiras entre crime organizado, corrupção e mercado ilegal.
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