SINTONIA DOS GRATAVAS: CNJ pediu investigação sobre suspeita de infiltração do PCC em concursos

Denúncia de preparação de candidatos ligados à facção levou Corregedoria Nacional de Justiça a acionar Polícia Federal em 2023

SINTONIA DOS GRATAVAS: CNJ pediu investigação sobre suspeita de infiltração do PCC em concursos

Foto: fxquadro no Magnific

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Uma denúncia de que o Primeiro Comando da Capital (PCC) estaria financiando a preparação de advogados para concursos de juiz, promotor e outras carreiras públicas provocou, em julho de 2023, uma investigação solicitada pela Corregedoria Nacional de Justiça à Polícia Federal. O objetivo era apurar a suspeita de que a facção tentava infiltrar integrantes ou pessoas ligadas ao grupo em órgãos como Judiciário, Ministério Público e polícias.

 

A denúncia havia sido apresentada pelo Jornal da Band, em reportagem publicada em 22 de junho de 2023. Segundo a matéria, o PCC teria ampliado a atuação de sua chamada “Sintonia dos Gravatas”,grupo formado por advogados ligados à organização criminosa, criado em 2005 para cuidar de questões jurídicas da facção e transmitir informações para dentro e fora dos presídios.

 

De acordo com a reportagem, depois de investir na formação de advogados, a organização teria passado a financiar a preparação de profissionais para concursos da magistratura, Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar e Receita Federal. A estratégia, segundo a denúncia, teria como objetivo ampliar a influência da facção dentro do Estado.

 

Suspeitas em concursos de São Paulo

 

O caso ganhou maior gravidade porque, segundo o CNJ, processos seletivos recentes do Tribunal de Justiça e do Ministério Público de São Paulo haviam identificado suspeitas de ligação de candidatos com o PCC. As bancas examinadoras realizaram investigações e, em alguns casos, impediram o prosseguimento ou a aprovação dos candidatos.

 

Na ocasião, o Tribunal de Justiça de São Paulo realizava concurso para 244 vagas de juiz. A Band informou que, nos três concursos anteriores da magistratura paulista, candidatos haviam sido excluídos após procedimentos de verificação da vida pregressa e investigação social apontarem suspeitas de vínculos com a facção.

 

O Ministério Público de São Paulo também informou que havia ampliado os mecanismos de controle para impedir o ingresso de pessoas vinculadas a organizações criminosas nas carreiras jurídicas.

 

O procurador de Justiça José Carlos Cosenzo afirmou à Band que o Ministério Público tinha conhecimento da existência dessas organizações e buscava mecanismos para impedir que pessoas ligadas a elas ingressassem na instituição e em outras carreiras jurídicas.

 

Polícia Federal foi acionada

 

Em 1º de julho de 2023, o então corregedor nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, encaminhou ofício ao Departamento de Segurança Institucional do Poder Judiciário solicitando a apuração da denúncia pela Polícia Federal. O CNJ registrou oficialmente que o pedido estava relacionado à suspeita de que o PCC estaria investindo na formação de candidatos com o objetivo de infiltrar integrantes da organização na polícia, no Ministério Público e no Judiciário.

 

Dois dias depois, a Band informou que a Polícia Federal investigaria a denúncia. O episódio expôs uma preocupação institucional que vai além da aprovação em concursos públicos: a possibilidade de organizações criminosas tentarem utilizar carreiras de Estado para ampliar sua capacidade de influência e proteção.

 

É importante, contudo, distinguir denúncia, suspeita e comprovação. As fontes consultadas confirmam o pedido oficial de investigação e a existência de candidatos que foram barrados em processos seletivos por suspeitas de vínculos com o PCC, mas não permitem afirmar que todos os candidatos mencionados tenham efetivamente sido integrantes da facção ou que o esquema de financiamento tenha sido judicialmente comprovado.

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