VAI COM DEUS: Curta prestigia comunidade ribeirinha com realismo mágico - Por Marcos Souza

O fato de ter sido rodado em locação real, no caso a comunidade de São Sebastião, que no filme virou “Paraíso”, torna a proposta da trama mais real

VAI COM DEUS: Curta prestigia comunidade ribeirinha com realismo mágico - Por Marcos Souza

Foto: Divulgação

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Foi lançado na segunda-feira (30) o curta-metragem “Vai com Deus”, produzido pelo jornalista e empresário Paulo Andreoli, que escreveu o roteiro junto com Édier William, Fabiano Barros e também com o diretor Neto Cavalcanti. A história é baseada na crônica “Zé dos Lírios, o papa defunto”, de Altair Santos. Dentro da cena cinematográfica rondoniense, esse é um dos mais bonitos filmes já feitos, com uma produção esmerada, principalmente na fotografia, iluminação e direção de arte - interiores. O fato de ter sido rodado em locação real, no caso a comunidade de São Sebastião, que no filme virou “Paraíso”, torna a proposta da trama mais real.

No entanto, a proposta original é trazer um misticismo mágico ribeirinho, principalmente na figura do papa defunto Zé dos Lírios, muito bem interpretado por Tino Alves - artista e músico -, que dá um tempero sombrio, quase um fantasma cercado por seus ajudantes, como um ceifador sinistro.

O filme tem um início enigmático, com o menino com binóculos, à noite, buscando a visão, no rio Madeira, da embarcação fúnebre de Zé dos Lírios, cujo nome é bem sugestivo, justamente “Vai com Deus”, convocado para levar um corpo na comunidade. Não vou entrar com spoilers, para não estragar a experiência, mas há um aspecto dramático, pois envolve um familiar.

 

Logo vamos conhecer o manda-chuva do lugar, tenebroso, bruto, mas também antagonista de todos, Coronel Quinca, interpretado por Anselmo Vasconcelos, que tem duas ótimas cenas - a do velório de uma liderança religiosa e a do confronto com a mulher no jantar. Ele utiliza um meio incomum para se livrar daqueles que cruzam o seu caminho, para que possa exercer o seu poder sobre aquelas pessoas que moram no lugar.

Ao mesmo tempo, o mesmo coronel tem uma vida escusa, envolta em uma relação que contraria a sua pregação moralista e cristã. Esses pitacos narrativos na imersão da figura do coronel mostram uma crítica social vigente nos dias atuais - basta interpretar de imediato o que vemos nos noticiários. O filme consegue trazer, dentro de uma visão crítica, o que é verdade e o que é mentira nas mãos de um homem que não tem pudor de se apresentar como um “salvador” - que o bem diga em seu discurso no velório, com a aprovação de alguns.

Assistir toda uma comunidade à sua mercê deixa margem para que o seu segredo seja o seu ponto de ruptura, fragilidade diante de tanta vilania. Ainda que a figura de Zé dos Lírios esteja presente no local, verificamos que ele funciona praticamente como um emissário da morte. Pois, na mesma noite e madrugada, outras perdas serão sentidas e maculadas.

O filme tem um problema de imersão narrativa pelo pouco tempo - 15 minutos - para termos uma dimensão ampla das motivações que o Coronel Quinca tem no exercício de seu poder naquela comunidade, até a sua atração pelo desejo, que é vinculado à sua hipocrisia - do proibido dentro da dimensão da figura machista que criou para efetivar o medo - que vai definir a sua queda. Ficam alguns questionamentos abertos, mas que podem ser respondidos de forma concisa na reação de quem menos se espera na resolução.

O menino dos binóculos, vivido pelo bom ator Yan, é o fio condutor narrativo da história e quem vai estar presente como protagonista nos pontos críticos, onde teremos a visão - como se fossem nossos olhos, os do espectador - da vilania e da escusa relação improvável do Coronel Quinca.

Como forma, no aspecto técnico, “Vai com Deus” é um filme irrepreensível, com um bom uso de trilha sonora, tomadas que deixam a história fluir de maneira rápida, mas orgânica. É bom ver que foram usadas as próprias pessoas da comunidade de São Sebastião, assim como a localidade no filme; isso dá uma autenticidade ribeirinha necessária para o que é proposto pelos realizadores, com um suspense e drama que perpassam o chamado realismo mágico.

“Vai com Deus” vai entrar no circuito da programação de festivais de cinema e curtas-metragens com grande potencial. Vale ressaltar que esse é um trabalho coletivo e de entrega, como já foi dito pelo próprio Paulo Andreoli na divulgação do curta, assim como pelo diretor Neto.

O filme foi feito graças aos recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), do Governo Federal, através do edital 001/2024 da Secretaria Estadual da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (Sejucel/Siec).

 

Onde assistir? A intenção é que o filme volte em um circuito de exibição em um cinema local a ser programado, ainda a ser divulgado.

 

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