A coleta seletiva pode não acontecer na próxima edição da Rondônia Rural Show, prevista para maio, após impasse financeiro entre a Secretaria de Estado de Assistência Social (Seas) e a Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Ji-Paraná (Coocamarji). O alerta foi feito pelo presidente da cooperativa, Celso Luiz. Segundo ele, a Seas solicitou a redução da diária dos catadores de R$ 166 para R$ 100, valor considerado inviável pela categoria.
De acordo com Celso Luiz, todo o planejamento já havia sido acordado entre Seas, Sebrae e Coocamarji. Pelo combinado, o Sebrae ficaria responsável por alimentação e hospedagem dos 30 catadores vindos de Ji-Paraná e outras 14 cidades, enquanto a Seas arcaria com diárias, material gráfico e combustível dos caminhões. No entanto, a secretaria recuou, alegando não ter condições de cumprir o acordo.
Com a mudança, o projeto precisou ser reestruturado, elevando os custos totais para cerca de R$ 158 mil. Ainda segundo o presidente da cooperativa, uma assessora da Seas entrou em contato nesta semana pedindo a redução das diárias para o mesmo valor pago em 2025, proposta rejeitada pelas cooperativas.
Celso Luiz afirma que, no ano anterior, a cooperativa teve prejuízo ao assumir despesas que não eram de sua responsabilidade. Diante disso, as entidades avaliam não participar da ação neste ano.
Paralelamente ao impasse financeiro, um novo fator aumenta a pressão sobre a organização do evento. Em ofício encaminhado no último dia 6 de abril, o Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental de Ji-Paraná (COMDEAM) solicitou à Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) a apresentação do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) da edição 2026.
O documento ressalta que eventos realizados em espaços públicos, com geração superior a 200 litros diários de resíduos, são obrigados por lei a apresentar e executar o plano, com possibilidade técnica e comprovação da destinação ambientalmente adequada. O conselho também cobra a inclusão formal da cooperativa de catadores nas etapas de coleta seletiva e triagem, conforme legislação municipal.
A ausência ou atraso na apresentação desse plano pode gerar questionamentos legais e comprometer a regularidade ambiental da feira. Esse serviço é um dos destaques no evento, chamando a atenção dos visitantes pela atenção dada aos resíduos, sendo um forte diferencial, além do ato legal.
A coleta seletiva durante o evento é voltada exclusivamente ao gerenciamento dos resíduos gerados. Até o momento, nem a Seas nem a Seagri se manifestaram oficialmente sobre o impasse e as cobranças ambientais.