A atuação do grupo empresarial investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeita de desvios de recursos públicos na saúde se estende também ao município de Nova Mamoré. Documentos e registros analisados pelo Rondoniaovivo confirmam que o fornecimento de profissionais para a rede municipal está a cargo da empresa Mittel S.A. Serviços Ltda, organização que possui ligações diretas com a estrutura da Mediall Brasil.
A atuação no município foi formalizada por meio do Contrato nº 003/PMNM/2024 (Processo nº 1566/SEMUSA/2023), originado do Chamamento Público nº 05/2023. O documento, validado em fevereiro de 2024 e assinado pelo prefeito Marcélio Rodrigues, estabelece o credenciamento da empresa para fornecer médicos generalistas, especialistas, enfermeiros e outros profissionais habilitados.
Segundo o contrato, a Mittel S.A. é a responsável por atuar no Hospital Antônio Luiz de Macedo, além de atender as Unidades Básicas de Saúde (UBS) tanto da zona urbana quanto da zona rural do município.
Operações
A revelação ocorre na esteira das operações Makot Mitzrayim e Rio Vermelho, deflagradas pela Polícia Federal. Na última quarta-feira (15), empresários ligados à cúpula da Mediall Brasil (incluindo Hilton Rinaldo Salles Piccelli e Rudson Teodoro da Silva) foram presos em Goiás.
O grupo responde por acusações de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, superfaturamento e uso de empresas de fachada durante e após a pandemia.
A constatação de que a organização opera em Nova Mamoré utilizando a razão social Mittel S.A. lança luz sobre a ramificação dos contratos em Rondônia. O uso de diferentes nomenclaturas ou CNPJs interligados pelos mesmos gestores é uma das frentes investigadas pela PF para rastrear o repasse de verbas a organizações sociais.
Com Nova Mamoré, cresce a lista de municípios possivelmente afetados pelo escândalo. O grupo já enfrenta devassas do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) por contratos emergenciais de R$ 110 milhões em Guajará-Mirim e mantém o controle do Hospital Municipal de Machadinho d'Oeste.