A primeira, certamente, não é uma estranha para os leitores, pois o livro contando sua história virou filme produzido na Alemanha "Eu, Christiane F., drogada e prostituída" e quanto à segunda, quando jovem foi vítima e protagonista de um dos maiores escândalos da meca do cinema, a indústria das ilusões chamada Hollywood.
"Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída" conta a história real da adolescente alemã Christiane V. Felscherinow. Quando foi lançado, houve uma demanda enorme pelo livro que conquistou o mundo. Milhões cresceram lendo as confissões da jovem drogada e prostituída.
Em 1978, os autores Kai Hermann e Horst Rieck encontraram Christiane - então com 15 anos -, depondo como testemunha num tribunal de Berlim. Foi assim que tudo começou. O livro nasceu da gravação do relato da jovem, que fez questão da publicação da obra.
Como quase todos os viciados em drogas, ela desejava romper o silêncio opressivo que cerca a questão dos tóxicos entre os adolescentes. Todos os sobreviventes da "turma", bem como seus pais, apoiaram o projeto e concordaram, para reforçar a autenticidade deste documento, com a publicação de nomes e fotografias.
Das páginas às telas do cinema
O cimeasta alemão Uli Edel dirigiu a adaptação cinematográfica do livro a partir do roteiro de Herman Weigel e a atriz Natja Brunckhorst interpreta Christiane. Até hoje, o longa causa polêmica, discussões e reflexões sobre a vida daquela jovem. Mas o filme, que se passa na Berlim dos anos 1970, não tem o mesmo impacto da obra literária.
Um novo livro
Trinta e cinco anos depois da edição original, Christiane V. Felscherinow - agora revelando seu nome completo - retorna àqueles tempos que se seguiram à publicação e às diferentes etapas de sua vida até os dias de hoje.
Intitulado "Eu, Christiane F., a vida apesar de tudo", e escrito com a colaboração da jornalista Sonja Vukovic, Christiane, em linguagem simples, direta e franca, fala da sua "segunda vida", dos anos felizes na Grécia, da sobrevivência na prisão, do combate ao vício, dos encontros com seus ídolos do rock, entre eles, David Bowie, da aparição de um anjo da guarda e dos momentos de felicidade com seu filho Phillip.
Uma outra história
Guardadas as devidas proporções, a leitura deste segundo livro faz lembrar outra história de superação envolvendo outra adolescente. Trata-se de "A garota - uma vida à sombra de Polanski".
Em março de 1977, no sul da Califórnia, o diretor Roman Polanski e a aspirante a atriz Samantha Geimer participavam de uma festa na casa do ator Jack Nicholson, amigo do cineasta e protagonista de Chinatown, longa realizado pelo diretor.
Samantha tinha 13 anos e foi levada pela própria mãe. Os fatos incontestáveis do que aconteceu nas horas seguintes aparecem nos registros do tribunal: Polanski passou horas tirando fotos da adolescente - no deque com vista para Hollywood Hills, em um balcão de cozinha, de topless em uma banheira. Vinho e drogas foram consumidos, equilíbrio e inocência foram perdidos, e a vida de uma jovem foi alterada para sempre.
Nestas memórias surpreendentes, Samantha Geimer, "a menina" no centro do infame caso de assédio sexual de Roman Polanski, rompe um silêncio de trinta e cinco anos para contar sua história e reflete sobre os acontecimentos daquele dia e as repercussões por uma vida inteira. Samantha seguiu sua vida, constituiu família e perdoou Polanski.
No entanto, a justiça norte-americana não perdoou e, desde então, o diretor de filmes icônicos como Lua de Fel, O Bebê de Rosemary, Repulsa ao Sexo, entre outros, continua com um mandado de prisão contra ele, que fugiu para a França e nunca mais pôde voltar para a América, nem mesmo para receber o Oscar de melhor diretor por O Pianista. Se voltar, será preso na hora.
As histórias de Christiane e Samantha mostram a força de duas jovens que, com determinação e coragem, conseguiram superar o sofrimento e os traumas do passado, se tornando adultas plenas e seguindo suas vidas.