23 de janeiro de 2013: uma data que marcou a cidade de Santa Maria, Rio Grande do Sul, com uma das maiores tragédias da história do Brasil. O incêndio na boate Kiss matou 242 jovens e deixou mais de 600 feridos. A tragédia foi contada no livro "Todo dia a mesma noite, a história não contada da boate Kiss", da jornalista investigativa e escritora premiada Daniela Arbex.
Dez anos após o incêndio, duas produções audiovisuais foram lançadas: uma minissérie em cinco episódios pela Netflix, com o mesmo título do livro, e um documentário em cinco episódios, "Boate Kiss, a tragédia de Santa Maria", pela Globo Play. Essas produções mergulham fundo na história da tragédia, revelando não apenas o terror e a morte, mas também a ganância, o descaso, a negligência, a omissão, o poder político, a injustiça e a impunidade.
As investigações da polícia apontaram a culpabilidade não apenas dos donos da boate e dos músicos, mas também da Prefeitura, secretários, bombeiros, promotores e outros. No entanto, apenas quatro pessoas sentaram no banco dos réus, e mesmo assim, o julgamento foi anulado oito meses depois. Até hoje, uma década após a tragédia, nenhum dos culpados está cumprindo pena.
O livro, o documentário e a minissérie apresentam um retrato contundente da tragédia e da luta das famílias das vítimas por justiça. Os relatos dos sobreviventes e a luta dos pais são emocionais e indignantes. A rede de proteção que garantiu a impunidade dos culpados e a perseguição a alguns pais que falaram sobre os envolvidos é um escândalo.
Alguns internautas criticaram as produções, dizendo que foram desnecessárias e exploraram a dor das famílias. No entanto, essas produções podem ser vistas como denúncias de uma tragédia que poderia ter sido evitada e cujos culpados contam há mais de uma década com a certeza da impunidade.