Vencedor de oito Oscar, incluindo melhor filme e melhor ator para George C. Scott, a superprodução "Patton, rebelde ou herói", subtítulo desnecessário, é um épico de um único homem, o general George Patton, irascível, brilhante, um herói para muitos, mas um déspota para outros. Único general aliado que os nazistas realmente temiam, Patton escrevia poesia e acreditava em reencarnação. Afirmava que em outra vida fora um grande guerreiro. “Detesto o século 20”, diz a certa altura do filme.
Na campanha da África, Patton ludibriou Rommel e após o Dia D comandou uma campanha incansável pela Europa contra os nazistas. Ele usava um revólveres com cabo de marfim e desenhava seus próprios uniformes. O longa não mostra apenas seus atos heróicos, mas fatos ocorridos que causaram problemas sérios em sua carreira. Sua personalidade, como a soberba interpretação de George C. Scott, nos mostra nas quase três horas de duração do filme.
O ator se recusou a receber o Oscar e nunca foi buscar sua merecida estatueta. Scott incorporou muito de sua personalidade a tão controverso personagem da história da Segunda Guerra Mundial e com sua performance encantou o público e arrancou elogios da crítica especializada. Não que isso importasse para Scott.
Patton apresenta algumas cenas que se tornaram icônicas. O discurso de quase seis minutos na abertura, quando Patton fala tendo uma gigantesca bandeira dos Estados Unidos ao fundo. A polêmica sequência do tapa no soldado traumatizado pela guerra. Ou ainda, quando acontece um ataque aéreo alemão e o general salta de uma janela para cima de um caminhão e daí para o chão e saca sua pistola e atira como se pudesse abater os aviões. Ele até comenta - Se eu encontrasse esses pilotos nazistas lhes daria uma medalha.
Apesar de dominar o longa de ponta a ponta, Scott não ofusca seu colega de elenco, Karl Malden, que também está muito bem. A direção ficou a cargo do competente Franklin J. Schaffner, o mesmo do extraordinário "O Planeta dos Macacos", o primeiro e o melhor longa da franquia. O roteiro foi escrito por um jovem em ascensão em Hollywood chamado Francis Ford Coppola, que apenas três anos depois conquistaria o Olimpo com a obra prima "O Poderoso Chefão".